UM PRÉDIO QUE FAZ PARTE DA HISTÓRIA DE SALVADOR
O antigo prédio do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador, está no centro de uma mudança de finalidade.
O espaço, que durante décadas esteve associado à educação pública, será cedido provisoriamente à Polícia Militar da Bahia (PMBA), segundo as informações divulgadas pelo Governo do Estado.
Legenda: Antigo prédio do Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado no Corredor da Vitória, em Salvador.
UMA UTILIZAÇÃO PROVISÓRIA
Segundo a justificativa apresentada, o imóvel será utilizado temporariamente como base da Polícia Militar, enquanto outras unidades da corporação passam por reformas ou reorganizações.
A informação foi confirmada pelo governador Jerônimo Rodrigues, que declarou que a ocupação do espaço terá caráter provisório e integra o planejamento da segurança pública do Estado.
Legenda: Jerônimo Rodrigues (PT), governador da Bahia.
DA ESCOLA PÚBLICA AO QUARTEL
O Colégio Estadual Odorico Tavares foi, por décadas, uma referência da educação pública em Salvador.
Localizado em uma região tradicional da capital baiana, o colégio recebeu estudantes de diferentes regiões da cidade, inclusive moradores das periferias, oferecendo acesso à educação pública em uma área valorizada de Salvador.
Legenda: Fachada do Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, em Salvador.
MEMÓRIA DE UMA ESCOLA
Mais do que um prédio, uma escola representa histórias, relações, formação e memória.
Por suas salas passaram estudantes, professores, funcionários e famílias. O espaço também fez parte da trajetória de diferentes gerações de baianos.
Legenda: Estudantes do Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, em Salvador.
UMA NOVA FUNÇÃO PARA O ESPAÇO
Agora, o imóvel que abrigou salas de aula, biblioteca e projetos educacionais será utilizado pela Polícia Militar da Bahia.
A medida é apresentada como provisória e está relacionada à necessidade de acomodar unidades da corporação durante períodos de reformas ou reorganizações.
Legenda: Policiais militares da Bahia. O espaço do antigo colégio será utilizado provisoriamente como base da corporação.
UMA DISCUSSÃO QUE VAI ALÉM DO PRÉDIO
A questão não precisa ser colocada como uma disputa entre educação e segurança pública.
As duas áreas são fundamentais para a sociedade.
O que merece ser discutido é a destinação de um imóvel público que durante décadas esteve ligado à educação e que agora passa a cumprir outra finalidade.
A utilização provisória pode atender a uma necessidade administrativa. Ao mesmo tempo, o futuro definitivo do imóvel merece ser conhecido pela sociedade.
Qual será a destinação do prédio?
Por quanto tempo permanecerá sendo utilizado pela Polícia Militar?
Existe um projeto definido para o imóvel?
Essas são perguntas que fazem parte do debate público sobre o patrimônio.
QUANDO UMA ESCOLA FECHA, O QUE FICA?
Quando uma escola pública deixa de funcionar, não desaparecem apenas as salas de aula.
Ficam a memória dos estudantes, a história dos professores, as experiências das famílias e a importância daquele espaço para a comunidade.
Por isso, a discussão sobre o antigo Colégio Estadual Odorico Tavares não deveria se limitar à utilização atual do prédio.
É necessário discutir também o futuro.
QUE CIDADE QUEREMOS?
A transformação de um espaço educacional em uma estrutura destinada a outra finalidade provoca uma reflexão sobre o planejamento urbano e a utilização do patrimônio público.
A pergunta não é apenas o que fazer com um prédio. A pergunta é:
QUE CIDADE QUEREMOS?
Uma cidade precisa de segurança.
Uma cidade precisa de educação.
E precisa também preservar sua memória e planejar de forma transparente a utilização de seus espaços públicos.
UMA CARTA ABERTA AO PODER PÚBLICO
Esta CARTA ABERTA pretende contribuir para esse debate.
Não se trata de questionar a necessidade de estruturas para a Polícia Militar, nem de minimizar a importância da segurança pública.
Trata-se de perguntar qual será o destino definitivo de um imóvel que durante décadas teve uma função educacional e que integra a memória de Salvador.
A sociedade tem o direito de conhecer os planos para aquele espaço e acompanhar as decisões relacionadas ao seu futuro.
Quando uma escola fecha, o que fica no lugar?
Essa é a pergunta que permanece.
AUTORIA
CRISPINIANO DALTRO
Administrador Público
Cidadão Policial Aposentado
Assinado: Um Cidadão de Salvador pela Dignidade Urbana e Segurança de Verdade.
www.PÁGINAdePOLÍCIA.com.br