Os desdobramentos das investigações sobre o caso Master, mais especificamente em relação ao "Dark Horse", passam a ser a grande preocupação do bolsonarismo.
A decisão de Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de derrubar o sigilo dos envolvidos no escândalo Master, vai provocar um estrago na campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Na esteira das investigações, crimes como desvio de licitação e lavagem de dinheiro público para a produção do filme sobre Jair Messias Bolsonaro. Há fortes suspeitas da existência de uma organização criminosa.
O total da dinheirama chega a R$ 134 milhões, incluindo aí o que foi acertado entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro quando na visita na residência do ex-banqueiro, que já usava tornozeleira eletrônica. O número 1 alegou que foi cobrar um acordo não cumprido, um dinheiro para o "Dark Horse".
O que chama mais atenção nesse emaranhado de denúncias é o inominável cinismo do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. Quando questionado sobre o escândalo, diz que é "página virada" e que o dinheiro para a produção do filme é "privado".
Dizer que o dinheiro é privado é mais um ESCÂNDALO com todas as letras maiúsculas. A dinheirama veio do fundo dos aposentados do Estado do Rio de Janeiro e de emendas parlamentares.
Que coisa, hein! Emendas parlamentares, via Pix, dinheiro dos cofres públicos que deveria ir para a saúde, educação, etc, etc, sendo desviado para o "Dark Horse", uma iniciativa particular.
Ora, ora, página virada com dinheiro público sem prestação de contas é um acinte, um deboche com a Alta Corte, Ministério Público e a Polícia Federal, três honrosas e imprescindíveis instituições para a consolidação do Estado Democrático de Direito.
Outra declaração hilariante de Flávio Bolsonaro, com seu inerente e encrustado cinismo, foi a de que o ministro Flávio Dino tenta "interferência política" com ação da Polícia Federal.
O número 1 pensa a mesma coisa em relação ao ministro André Mendonça, o terrivelmente evangélico? Mendonça destituiu o diretor-geral da PF, sem falar no sigilo, guardado a sete chaves, dos envolvidos no escândalo Master e nos vazamentos seletivos.
A comprovação de que dinheiro público está pagando as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o número 3 de Jair Messias Bolsonaro, vai provocar o maior inferno astral na campanha do primogênito.
Uma queda nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro, com um aumento na rejeição, já é dada como favas contadas. Matematicamente falando, 2+2=4.
O desaconselhável "já ganhou" desmoronou com a "facada" de Edson Fachin e a "martelada" de Flávio Dino.
O que o povo brasileiro espera, o cidadão e a cidadã, o eleitor-contribuinte, é que a vassourada seja bem feita. Há muito lixo.
PS (1) - A Polícia Federal investiga se alguns milhões de dólares teve como destino um fundo sediado nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, amigo e advogado de Eduardo Bolsonaro.
PS (2) - Parte da dinheirama para financiar a cinebiografia do ex-morador do Alvorada, batizada de "Dark Horse", foi acertada com Flávio Bolsonaro.
COLUNA WENSE, SEXTA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.