ARTICULISTAS “Página virada”
NÃO EXISTE NINGUÉM ACIMA DA LEI
Alexandre de Moraes era o “Xandão” do lulismo no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora quer distância dele. André Mendonça é o “Mendonção” do bolsonarismo, quer ele bem pertinho.  por MARCO WENSE
08/09/2026 09h59
Por: Carlos Nascimento Fonte: COLUNA WENSE, DOMINGO, 6 DE SETEMBRO DE 2026.

Alexandre de Moraes era o "Xandão" do lulismo no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora quer distância dele. André Mendonça é o "Mendonção" do bolsonarismo, quer ele bem pertinho. 

A colunista política Eliane Cantanhêde, do Estadão, tem razão quando diz que "com Vorcaro no foco, pior para Flávio; com Moraes, Lula que se cuide"

Alexandre de Moraes e André Mendonça, respectivamente o "terrível careca" e o "terrivelmente evangélico", devem explicação não só ao presidente da Alta Corte, Edson Fachin, como também para a sociedade. 

A instituição Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Poder Judiciário, guardiã da Constituição, não pode ter sua credibilidade evaporada em decorrência de comportamentos reprováveis de seus membros. 

Conduta de André Mendonça é eleitoral e é insustentável no caso Master, diz Beto Vasques

O vídeo acima é muito esclarecedor. A opinião do conceituado professor da USP, Beto Vasques, do Instituto Democracia em Xeque, é de que Mendonça está em plena "campanha eleitoral", o que faz lembrar Sérgio Moro na Operação Lava-Jato. O juiz se transformou no maior "cabo eleitoral" de Bolsonaro, então candidato ao Palácio do Planalto. 

Os fatos apresentados por Vasques são tão inquestionáveis que teve a concordância de Isabel Kalil, coordenadora do Observatório da Extrema Direita.

Que todos citados no Caso Master sejam afastados: Alexandre de Morais, André Mendonça e Paulo Gonet, Procurador-Geral da República. O que se espera de Gonet é que ele se declare impedido, seguindo o que determina a legislação do Ministério Público.

Edson Fachin, presidente do Tribunal, assumiria o controle das investigações, impedindo vazamentos seletivos, como vem ocorrendo de maneira escancarada. 

Flávio Bolsonaro, quando questionado sobre o Caso Master, diz que é "página virada", como tivesse certeza que nada vai acontecer tendo André Mendonça como relator do maior escândalo financeiro da história do Brasil. 

Ora, ora, dizer que o Caso Master é "página virada" é um acinte, uma apologia à impunidade, diria até que um deboche com o Ministério Público, STF e a Polícia Federal, três honrosas e imprescindíveis instituições da República. 

O primogênito do ex-morador do Alvorada, enteado da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, mente desvaladamente, assentado em um inominável cinismo. 

Por que o sigílio bancário do número 1 não foi quebrado? Lembrando ao caro e atento leitor que Flávio esteve pessoalmente com Vorcaro, e na sua residência. A conversa girou em torno de R$ 134 milhões para bancar o filme sobre Jair Messias Bolsonaro. Outro lembrete é que o "honrado" dono do Banco Master já estava usando tornozeleira eletrônica. 

Tem também o contato pelo celular pedindo dinheiro: "Irmão, estou e estarei sempre do seu lado, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz", disse Flávio. Obviamente que a "luz" era os milhões de reais.

Vorcaro responde: "Fala irmãozão, estou na Igreja. Terminando te chamo". "Amém", respondeu Flávio. Ora, ora, "irmão", "irmãozão" são palavras que demonstram muita amizade, aproximação e confiança recíproca. 

Fizeram o que com os R$ 64 milhões que foram enviados para os Estados Unidos, para o fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro? Cadê a prestação de contas? Cadê o dinheiro? 

Concluo dizendo que a lei é para todos: filho de Luiz Inácio Lula da Silva, de Jair Messias Bolsonaro, ministros do STF, membros do Ministério Público, parlamentares, enfim, para qualquer autoridade. 

O preceito constitucional de que "todos são iguais perante a lei" é a viga principal do Estado Democrático de Direito. Do contrário, o caos institucional. 

E assim caminha a República Federativa do Brasil.

PS - O próprio André Mendonça, que é relator do Caso Master, admitiu que teve um encontro com Daniel Vorcaro. A conversa foi no Instituto Inter, fundado pelo ministro, que tem sua sede na região da Alameda Santos, cidade de São Paulo.

COLUNA WENSE, DOMINGO, 06.09.2026.

Sobre o autor:

(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.

Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.

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