"É um dos grandes quadros da direita", declarou Flávio Bolsonaro (PL) sobre Tarcísio de Freitas (Republicanos) em relação ao pleito presidencial de 2030.
Flávio sabe que o governador de São Paulo, que busca o segundo mandato (reeleição), é imprescindível para sua campanha rumo ao cargo mais cobiçado do Poder Executivo.
Depois do pai Jair Messias Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, Tarcísio é o mais importante "cabo eleitoral" do número 1. Diria até que é "conditio sine qua non" para o sucesso político de Flávio.
Qualquer atrito com o chefe do Palácio dos Bandeirantes seria mortal para o número 1. Lembrando ao caro e atento leitor que Tarcísio, além da boa pontuação nas pesquisas, com chance de ganhar no primeiro turno, governa o maior colégio eleitoral do Brasil.
Ora, ora, até as freiras do convento das Carmelitas sabem que o clã Bolsonaro vai fazer um "rodízio" na candidatura presidencial: 2030 com o próprio Flávio se for eleito, 2034 com o pai Bolsonaro ou o irmão Eduardo.
A possibilidade de uma anistia ampla para os envolvidos na trama golpista, obviamente com a eleição de Flávio, faz com que uma candidatura do pai Bolsonaro seja dada como favas contadas pelo bolsonarismo, mais especificamente o rotulado de raiz.
E a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro? Perguntaria o caro e atento leitor. Se depender do primogênito e do número 3, hoje morando nos Estados Unidos, será literalmente descartada, sem dó e piedade.
A curiosidade fica por conta de como irá se comportar Jair Bolsonaro diante do chega pra lá dos filhos na madrasta, cujo relacionamento com os enteados é o pior possível.
Não quero acreditar que Tarcísio de Freitas seja tão ingênuo a ponto de achar que existe um resquício de verdade no "cafuné" de Flávio. Tarcísio não é nenhum bobinho. Se é, será uma grande surpresa.
Na verdade, uma verdade que não pode se tornar pública, que só frequenta os bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, é que o tarcisismo prefere à reeleição de Lula do que a eleição de Flávio Bolsonaro.
A explicação é bem simples, não requer muito esforço: com o quarto mandato de Lula se encerra o ciclo do lulopetismo no comando da República. Com efeito, não existe um outro "Lula" no Partido dos Trabalhadores.
A vitória de Flávio, como já disse, vai provocar um "rodízio" na família Bolsonaro. Michelle ficaria de fora. Não é considerada uma "bolsonaro".
Outro ponto é que os números 1,2,3 e 4 torcem para que a madrasta seja derrotada para o Senado concorrendo pelo Distrito Federal.
Fico a imaginar essa confusão familiar com Flávio no Palácio do Planalto, com os irmãos se digladiando por espaços no governo. Eduardo Bolsonaro quer ser o embaixador do Brasil no Estados Unidos ou ministro das Relações Exteriores.
No mais, esperar os resultados das eleições bancadas pelo dinheiro público via fundos partidário e eleitoral. A dinheirama dos cofres públicos que pertence ao cidadão e a cidadã brasileiros.
E assim caminha a República Federativa do Brasil.
COLUNA WENSE, SÁBADO, 5 DE SETEMBRO DE 2026.
Sobre o autor:
(*) Marco Wense é advogado e articulista político itabunense, com coluna diária - COLUNA WENSE -, publicada no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.