Por Larissa Araújo
08 junho 08, 2026
O avanço das facções criminosas no Brasil representa um dos maiores desafios para a segurança pública e para a estabilidade das instituições democráticas. Organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) expandiram suas atividades muito além do tráfico de drogas, passando a exercer influência sobre territórios, rotas internacionais de tráfico, sistemas prisionais e até atividades econômicas ilícitas diversas.
As ações dessas organizações são marcadas por elevados níveis de violência, incluindo homicídios, extorsões, ameaças, ataques contra agentes públicos e disputas territoriais que afetam diretamente milhões de brasileiros. Em diversas regiões, comunidades inteiras convivem sob o domínio do crime organizado, onde facções impõem regras próprias, restringem a circulação de moradores e desafiam a autoridade do Estado.
Nos últimos anos, autoridades e especialistas internacionais passaram a observar com maior atenção a atuação dessas organizações. Nos Estados Unidos, setores políticos e de segurança defendem a ampliação das medidas de combate ao crime organizado transnacional, incluindo a possibilidade de enquadrar determinadas facções latino-americanas em categorias normalmente associadas ao terrorismo.
Os defensores dessa classificação argumentam que tais grupos utilizam o medo, a intimidação coletiva e a violência sistemática para alcançar seus objetivos, produzindo efeitos semelhantes aos causados por organizações terroristas.
Por outro lado, existe um debate jurídico e conceitual relevante. Tradicionalmente, o terrorismo é definido pela utilização da violência com motivação política, ideológica ou religiosa.
Já as facções criminosas brasileiras possuem, em sua essência, objetivos econômicos ligados ao lucro obtido por meio de atividades ilícitas. Nesse sentido, muitos especialistas sustentam que, embora empreguem métodos extremamente violentos, elas se enquadram mais adequadamente na categoria de crime organizado transnacional do que na de terrorismo.
Independentemente da nomenclatura adotada, o fato é que o crescimento dessas organizações evidencia fragilidades históricas do Estado brasileiro em áreas como segurança pública, controle de fronteiras, sistema prisional e políticas sociais.
O enfrentamento do problema exige ações integradas de inteligência, cooperação internacional, combate à lavagem de dinheiro, fortalecimento das instituições policiais e investimentos em educação e oportunidades econômicas para populações vulneráveis.
A discussão sobre classificar facções como terroristas não deve se limitar a uma questão semântica. O ponto central é compreender a dimensão da ameaça que esses grupos representam para a sociedade.
Enquanto mantiverem sua capacidade de recrutar membros, movimentar bilhões de reais e impor o medo em diversas regiões do país, continuarão sendo um dos principais obstáculos ao desenvolvimento social, econômico e institucional do Brasil.
(*) Larissa Araújo é administradora e comunicadora, com ampla formação na gestão privada e conhecimento em gestão pública, há 20 anos trabalhando com atendimento ao público. Atuou no setor privado, com foco em gestão de pessoas, e agora, pela Afirmativa, contribui para a formação de agentes públicos e o desenvolvimento de projetos de gestão, comunicação institucional e assessoria de comunicacão. Também é cronista, analista política e apresentadora de rádio e TV em Itabuna.
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