ARTICULISTAS Enxugar Gelo
O Sentimento de Enxugar Gelo: Até Quando a Impunidade Vai Vencer?
Quem acompanha a realidade da segurança pública no Brasil compartilha de uma mesma e dolorosa frustração: a polícia faz o seu trabalho, investiga, arrisca a vida para desarticular quadrilhas perigosas, mas, pouco tempo depois, vemos os mesmos bandidos de volta às ruas.  por Yuri Matos
24/06/2026 10h35 Atualizada há 2 horas
Por: Carlos Nascimento Fonte: por Yuri Matos

Quem acompanha a realidade da segurança pública no Brasil compartilha de uma mesma e dolorosa frustração: a polícia faz o seu trabalho, investiga, arrisca a vida para desarticular quadrilhas perigosas, mas, pouco tempo depois, vemos os mesmos bandidos de volta às ruas. 

Diante disso, a sociedade se pergunta com total indignação: o problema está em leis lenientes e frouxas ou em juízes que falham em seu papel? A verdade é que o sentimento de "enxugar gelo" é real, e o próprio Estado, ao não agir na raiz do problema, acaba alimentando esse ciclo de impunidade e corrupção.

Para mudar esse cenário que tanto nos revolta, precisamos de ações claras e corajosas de cada lado da balança.

O policial que está na ponta do sistema precisa de respaldo e de ferramentas para que seu trabalho não seja em vão. O combate eficiente exige focar na inteligência e na asfixia financeira dos líderes do crime, garantindo provas tão robustas que nenhuma brecha judicial possa anular. Além disso, valorizar o bom policial e manter corregedorias fortes e independentes é o único caminho para blindar as nossas polícias contra as tentativas de suborno e infiltração das facções.

Não podemos aceitar que o direito de defesa se transforme em certeza de impunidade. Se os juízes alegam que apenas cumprem a lei, então passou da hora de o Congresso Nacional reformar nossos códigos penais. Precisamos de leis mais duras que acabem com a moleza de progressões de regime e saídas temporárias para criminosos reincidentes e violentos. Ao mesmo tempo, o Judiciário deve ser célere e implacável contra o colarinho branco, e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) precisa fiscalizar com lupa a conduta dos magistrados, punindo com rigor qualquer suspeita de corrupção.

A sociedade civil não pode ser apenas vítima ou espectadora desse caos. Nossa força está na cobrança e na união. Precisamos usar o voto de forma consciente para varrer da política quem protege privilégios de criminosos, exigindo que os impostos que pagamos retornem em segurança e presídios estruturados. Mais do que isso, a comunidade precisa ocupar os espaços: apoiar projetos sociais, de educação e de emprego para os nossos jovens é cortar o oxigênio que alimenta o recrutamento das quadrilhas.

O Brasil não aguenta mais ver o esforço policial ser desfeito por um sistema que parece proteger o agressor em vez da vítima. Diminuir a criminalidade e a corrupção exige que o Estado pare de falhar. 

Quando tivermos leis que punam de verdade, juízes comprometidos com a justiça e uma sociedade que fiscaliza e protege suas comunidades, o gelo finalmente vai parar de derreter nas mãos de quem nos defende.

Yuri Matos

E-mail: matos220@gmail.com

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