A falta de maturidade da categoria de investigadores e escrivães da Polícia Civil da Bahia na luta por melhores salários
A principal barreira para os investigadores e escrivães da Polícia Civil da Bahia conseguirem reajustes salariais reais não está só no governo. Está na forma como a própria categoria conduz suas pautas.
Falta maturidade política para negociar. Em vez de apresentar dados técnicos, produtividade e comparativos com outras polícias, o discurso muitas vezes cai na emoção, na ameaça de paralisação e na postura de confronto direto. Governo não negocia sob pressão vazia, negocia com argumento. E argumento exige união, estudo e estratégia, coisas que ainda faltam.
Falta maturidade de união interna. Investigador puxa de um lado, escrivão de outro, enquanto os Delegados "nadam de braçadas". A categoria não fala uma língua só, com pautas comuns e representatividade de fato, qualquer pleito vira ruído. Governo adora categoria dividida, porque negociar com fragmento é mais barato.
Falta maturidade de comunicação. No momento em que a Instituição literalmente calou a boca dos investigadores e escrivães, proibindo qualquer manifestação nas mídias, proibindo de dar entrevista em rádios e televisão, sob ameaça de sanções no órgão correcional, e em contraproposta, limitou ao delegado este direito, sem dúvidas perdemos espaço junto a sociedade, a qual só enxerga a figura do delegado de polícia, como sendo o "severino", o faz tudo, quando na realidade a situação é bem diferente.
A sociedade baiana e o governo precisam entender por que um escrivão e um investigador merecem ganhar melhor. Mas isso não se constrói com post de desabafo e vídeo de crise. Se constrói mostrando serviço: elucidação de casos, combate ao crime, papel fundamental na investigação. Vender valor é diferente de cobrar aumento.
Sem mudar a postura, o melhor salário vai continuar sendo só promessa de campanha. Maturidade aqui não é aceitar pouco. É saber jogar o jogo: dados na mesa, categoria unida e narrativa que convença quem paga a conta.
Sobre o autor:
(*) Luiz Ferreira é articulista e analista político, com atuação voltada à leitura crítica da história política brasileira contemporânea. Acompanha de forma permanente os movimentos ideológicos, as relações de poder e os impactos das decisões governamentais na vida da sociedade. Seus textos priorizam a análise histórica, o debate público e a formação de opinião, com foco no interesse do cidadão comum.
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