Violência e Criminalidade tendência, movimento social, desobediência, revolta popular ou desvio de conduta de pessoas consideradas criminosas?
Pode-se dizer que é um fenômeno social não moderno, mas que vem crescendo e tomando proporções preocupantes para o bom convívio social, trazendo grandes conflitos nas relações interpessoais e coletivas surgindo em alguns contextos como justificativas para existência de atritos no cotidiano, se tornando assunto de maior freqüência nos debates formais e informais da população, chamando a atenção para a percepção apenas da violência visível e imediata que servem como referência para os debates, tendo a mídia como maior referencial influenciador e as redes sociais, onde são expostos alguns fatos de forma descontextualizados, criando diversas narrativas em forma de opiniões pessoais ou mesmo replicando narrativas de terceiros sem refletir ou realizar uma análise detalhada sobre os mais variáveis assuntos.
A violência e a criminalidade são fenômenos que surgem a partir do comportamento do próprio Estado, de onde vem o seu fomento. O medo implantado na sociedade em forma de uma violência psíquica imposto pelo controle social através da força é uma prática imposta de forma doutrinária pelas forças de segurança do Estado, impondo práticas as mais diversas e cruéis na aplicabilidade impondo a obediência através do medo com a aplicação da truculência. Atualmente é comum ouvir agentes de seguranças estaduais externarem que os “marginais” ou mesmo a população perderam o respeito pelos prepostos, na verdade podemos dizer que perdeu o medo, esse é um fenômeno a ser analisado, ao se observar as práticas aplicadas pelo poder público, bem como seus agentes, há de pensar, o medo é um fenômeno psíquico que domina o individuo, deduz-se que ele pode ser superado. A partir do momento que esse mesmo indivíduo passe a perceber que ele pode enfrentar seus medos, bastando para isso possuir os mesmos instrumentos que lhe possibilite ficar em igualdade e condições de enfrentá-los, se liberta da condição de medo passando a enfrentá-lo.
Ou seja, as condições iguais lhe garantem a possibilidade de enfrentar o medo, concomitante a isso o aparelhamento dessa parcela de indivíduos que perderam o medo, passa a utilizar e se apropriar dos “modus operandi” do próprio Estado aplicando as mesmas formas de produção e aplicação das variadas formas de violências. A violência perpassa pela autoria dos pequenos delitos.
Ela é produzida nas desigualdades das Leis anti-sociais e contra a coletividade aprovadas nas casas legislativas, é produzida pelo judiciário através das violações das igualdades formais ou ainda pela violação e exclusão social negando direitos e assistências, levando as pessoas a condição de “excluído social” ou “vida nua”, a criminalidade e violência estão ocorrendo na sociedade de forma diversificada e vista pela população de forma equivocada considerando que, “aquilo que não me incomoda, não me diz respeito, ou ainda “não me interessa”.
A criminalidade está ganhando projeções assombrosas e nos ambientes os mais inimagináveis da sociedade, ela não ganha corpo nas favelas, tão pouco se organizam em becos ou barracos, para ganhar dimensão de “Crime Organizado”, ele é fomentado nos gabinetes políticos, nas reuniões das elites, nos contextos dos filhos dessa elite homiziadas no interior de grandes condomínios de luxo, de pessoas com intelecto e educação avançada, em que aplicam as suas táticas criminosas com objetivo e precisão nas ações, onde o dinheiro público é a primeira e mais importante das cobiças onde o desvio da verba da merenda escolar, saúde, educação, segurança pública, dos diversos benefícios sociais, hospitais, seguida da contravenção, peculato, suborno de toda ordem, atividades, postos e hierarquias, contrabando seja de drogas, armas, seres humanos, animais silvestres, mulheres e crianças, órgãos de seres humanos, grilagem de terra, assassinatos, milícias, grupos de extermínios, estão no centro dos debates.
Observando bem todos são crimes de complexa elaboração para que ocorram em ambientes de favelas ou barracos de comunidades, onde os grupos criminosos são compostos por pessoas semi-analfabetas ou analfabetas, com dificuldade de raciocínio lógico e concentração, equipamentos tecnológicos e capacidade técnica de manuseá-lo, espaço adequado para comportar esses equipamentos, capacidade, contatos e espaços adequados para criar e expandir uma rede de corrupção que venha infiltrar-se em instituições como o congresso nacional, judiciário, prefeituras, câmara de vereadores, grandes empresas, de constituir grandes escritórios advocatícios, onde circulam cifras calculadas em milhões ou bilhões.
Considerando a dimensão social que o assunto vem tomando, se faz necessário um debate sério e comprometido apartado da mídia sensacionalista e fomentadora de estereótipos sociais carregados de simbolismos preconceituosos, ajudando até na manutenção de pessoas praticantes de crimes e estando em evidencia utilizando para isso alcunhas no tratamento, como forma evidente de dissociar as duas figuras, criminoso de apresentador, assim como políticos utiliza familiares para perpetuar a cadeia mantenedora das ações delitivas.
O crime organizado se utiliza de grupos criminosos, que se unem como bandos e formam organizações criminosas através de siglas e convenções próprias de cada grupo, que desenvolvem as atividades desses grupos organizados onde depositam seu capital de força criminal, proporcionando a diversificação da atividade criminosa, recebendo aporte financeiro, político e jurídico para seus gerentes e testas de ferro, é comum ver o drama midiático feito no flagrante de um furto, e não vemos a mesma quando o assunto é desvio de dinheiro público feito por deputados, vereadores, prefeitos e outros entes público, os crimes são de mesma gravidade, furto, desvio de verba, sendo o do ente público de mais gravidade, pois diversas ações e obras coletivas deixam de serem executadas, remédios e merendas escolar deixam de ser fornecidos, viaturas e ambulâncias deixam de ser substituídas ficando sucateadas, não se combate a violência e a criminalidade com sacrifício da população pobre, porque ela já paga o preço para mantê-la.
Enquanto o parlamento não tiver um comportamento digno, honesto e responsável, nós não teremos uma sociedade de paz, porque somos o nosso próprio inimigo e estaremos sempre guerreando entre nós mesmos, sem enxergar o inimigo a nossa frente nos convencendo que não tem jeito, e matar não é jeito é mais violência é a prática do mesmo “MODUS OPERANDI” do que classificamos como bandidos, então a briga na verdade é de facção oficial versos a fomentada, ou teremos que seguir com nossa “Encefalopatia coletiva”.
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