A clássica música “1 x 1”, do saudoso Jackson do Pandeiro, segue justamente na contramão do jogo travado entre Governo e Judiciário. Enquanto a canção ironiza a possibilidade de empate e transmite a confiança de uma torcida convicta da vitória do seu time, o cenário do julgamento do Mandado de Injunção parece caminhar para um resultado acomodado no “um a um”.
O julgamento, impetrado por duas entidades sindicais e uma associação, chegou ao placar de 13 a 13, levando a disputa para um desempate que mais parece uma prorrogação de terceiro tempo. Entretanto, quando o jogo mal havia recomeçado e o placar apontava 2 a 1, com ainda mais de 80 minutos pela frente, surgiu uma súmula de 21 laudas sugerindo a suspensão da partida.
Da arquibancada, os torcedores observavam atônitos, aguardando o recurso da contestação, como se esperassem a intervenção do VAR. O juiz titular e seus 25 bandeirinhas permaneceram de prontidão, atentos às reações dos jogadores e da torcida inflamada.
Nesse momento, o técnico da equipe, representado pelo advogado, reuniu o time para analisar os rumos da partida. Após avaliar os possíveis desdobramentos, sugeriu que o grupo aceitasse ir para o “sorteio da sorte do milhão”, numa clara metáfora à busca de um acordo ou acomodação política.
Mas um torcedor questionou: se o placar já era de 2 a 1, faltando ainda mais de 80 minutos, não haveria possibilidade de goleada? Por que aceitar o empate, se havia convicção de que o resultado poderia chegar a 16 a 9?
Ao que tudo indica, quem saiu em vantagem nesse jogo foi o Governo, que, estrategicamente, percebeu ainda no primeiro tempo que a melhor alternativa seria suspender a partida. Assim, o resultado passaria a ser negociado entre o jogador titular e um reserva, assegurando previamente o conveniente “1 a 1”, sem o risco de uma derrota mais ampla diante do adversário.
MANDADO DE INJUNÇÃO: COMO FICARÁ NOSSA SITUAÇÃO AGORA?
Enquanto isso, o tempo segue correndo entre discussões, expectativas e a aguardada resposta da análise filométrica. E, ao final de tudo, permanece a sensação de que o VAR confirmou aquilo que muitos já temiam: o jogo terminou empatado.
A metáfora construída a partir do futebol traduz com precisão o sentimento de parte dos envolvidos no julgamento: a impressão de que um resultado que poderia representar ampla vitória acabou conduzido para um empate politicamente confortável. Entre recursos, suspensões e articulações, o jogo jurídico parece ter seguido menos a lógica do placar e mais a estratégia dos bastidores.
Quem foi Jackson do Pandeiro
Jackson do Pandeiro foi um dos maiores nomes da música popular brasileira. Nascido na Paraíba, destacou-se pelo ritmo inovador, pela mistura de gêneros nordestinos e pela habilidade única na divisão rítmica. Conhecido como o “Rei do Ritmo”, influenciou gerações de músicos brasileiros com sucessos que misturavam humor, crítica social e forte identidade popular.
A música “1 x 1” tornou-se um símbolo da paixão futebolística brasileira, ironizando o empate e exaltando a confiança da torcida na superioridade do seu time, evitando o famoso “zum-zum-zum” provocado por um resultado frustrante.
Por Crispiniano Daltro
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