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Bahia apresenta nova rota para organizar o cuidado especializado no SUS
Como fazer a atenção especializada chegar mais rápido, mais perto e de forma mais organizada à população? Essa foi a pergunta que guiou a abertura ...
27/04/2026 11h35
Por: Redação Fonte: Secom Bahia

Como fazer a atenção especializada chegar mais rápido, mais perto e de forma mais organizada à população? Essa foi a pergunta que guiou a abertura do 12º Congresso Cosems Bahia, neste domingo (26), no Centro de Convenções de Salvador. Em conferência para gestores municipais, representantes do Ministério da Saúde, consórcios públicos e trabalhadores da saúde, a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, apresentou a estratégia baiana para enfrentar a demanda reprimida e deixou claro que o problema não se restringe a uma fila.

Com o tema “O novo paradigma da Atenção Especializada na Bahia: da fila ao cuidado integral”, a titular da pasta estadual da Saúde argumentou que a solução exige uma rede capaz de conectar atenção primária, diagnóstico, consulta, cirurgia, transporte e acompanhamento. A demanda reprimida, disse ela, começa antes mesmo de qualquer lista de espera, quando a doença não é acompanhada no tempo certo, o exame demora ou o encaminhamento chega sem integração com os demais pontos da rede.

“A demanda reprimida não pode ser tratada apenas como um número acumulado. Ela revela um percurso assistencial que precisa estar melhor organizado. O desafio é fazer com que o paciente deixe de peregrinar pelos serviços e passe a ser acompanhado pelo SUS, com referência, contrarreferência, dignidade e continuidade do cuidado”, afirmou a secretária.

Para sustentar o argumento, Roberta apresentou os números da expansão da assistência à saúde no estado: entre 2023 e 2026, a Bahia aplicou R$ 39,02 bilhões em saúde, entregou 13 novos hospitais, abriu mais de 5.500 leitos e colocou 26 policlínicas regionais em funcionamento. Juntas, as unidades já somam 9,7 milhões de atendimentos, alcançam 416 municípios consorciados e cobrem 80,86% da população baiana. Outras sete policlínicas estão em diferentes fases de implantação, em Camaçari, Remanso, Itapetinga, Ipirá, Seabra, Ibotirama e Feira de Santana.

A essa estrutura, o programa Agora Tem Especialistas acrescenta R$ 100 milhões para intensificar a oferta, com ampliação de horário e funcionamento nos finais de semana. No campo cirúrgico, a Bahia chegou a 720 mil procedimentos eletivos realizados em 124 unidades credenciadas, combinando rede própria, conveniadas e interiorização da oferta.

A apresentação também registrou R$ 586 milhões anuais em cofinanciamentos, 1 milhão de atendimentos em 184 feiras de saúde, 529 mil mamografias de rastreio e 476 mil atendimentos de saúde bucal nas escolas. Em oncologia, quatro novas Unacons foram criadas e três ampliadas, com 14 aceleradores lineares em operação e projeção de chegar a 25 até o fim de 2026. Na cardiologia, são 11 hemodinâmicas ativas e sete novas em implantação. Na saúde digital, R$ 200 milhões investidos resultaram no primeiro prontuário eletrônico integrado do país, já implantado em 38 unidades, com 260 milhões de dados reunidos na Rede Estadual e 381 painéis de BI em funcionamento.

O congresso reúne cerca de 1.500 participantes e recebeu inscrições de 563 experiências exitosas. Para a presidente do Cosems Bahia, Stela Souza, o evento cumpre um papel insubstituível ao aproximar quem planeja, financia, executa e responde diretamente à população. “O SUS acontece no território, na unidade básica, na busca ativa, na escuta da população e no trabalho diário das equipes municipais. A atenção especializada só avança quando a atenção primária está fortalecida e quando Estado, municípios e União atuam de forma integrada”, disse ela.

Representando o Ministério da Saúde, o secretário de Atenção Especializada à Saúde (Saes) Mozart Sales reforçou que a agenda exige cooperação federativa e melhor aproveitamento da capacidade instalada na rede pública, filantrópica e privada contratualizada. “A Bahia tem papel importante nessa agenda porque combina expansão de serviços, planejamento regional e pactuação com os municípios”, declarou.

Roberta Santana encerrou a conferência com uma síntese que resumiu o argumento central do evento. “Estado sozinho não resolve. Município sozinho também não. O Ministério da Saúde sozinho não alcança o território. Quando as três esferas trabalham juntas, com responsabilidade, dados, financiamento e compromisso, a vida das pessoas muda”, concluiu.

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Ascom/Sesab