ARTICULISTAS NÃO DESAPARECEU
E O IRÃ NÃO DESAPARECEU
A renúncia de um alto assessor de Trump expõe divisões internas nos EUA, reacende o debate sobre a influência de Israel em Washington e evidencia que a ofensiva contra Teerã fracassou em neutralizar o regime iraniano. por CARLOS PRONZATO
15/04/2026 10h58 Atualizada há 5 horas
Por: Carlos Nascimento

No dia 17 de março, uma voz de dentro do governo estado-unidense levantou-se contra o coro bélico republicano e renunciou. O chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA (nomeado por Trump e confirmado pelo Senado em 2025), Joe Kent, se recusou a dar apoio na aventura irracional de Donald Trump contra o Irã, afirmando que esta guerra não beneficiava o seu país. A sua renúncia reacendeu o debate sobre a influência de Israel no governo americano e, como de costume, ao igual que todo aquele que se posicionar contra os crimes de lesa humanidade do governo israelita, foi acusado de antissemita.  

Joseph Clay Kent, de 46 anos, nascido no Estado de Oregon, principal assessor antiterrorista de Trump, ex militar e político de extrema direita, serviu como oficial de operações especiais do Exército norte-americano e na CIA. Em 2019 participou de missões contra o Estado Islâmico. No seu histórico recente figura a sua rejeição às vacinas contra a Covid-19, chamou os invasores do Capitólio (janeiro de 2025) de presos políticos e se posiciona contra a liberdade de gênero. Cartilha que conhecemos no Brasil através do Bolsonaro.

Mas ao contrário do que faria a nossa personagem radicalmente americanófila, genuflexa ao Império, Joe Kent acusou o lobby de Israel nos EUA de ser o foco da pressão para formalizar a agressão ao país persa, classificando a guerra como inútil e perigosa e que o Irã não representava nenhuma ameaça iminente para a segurança dos EUA. Em termos mais gerais sobre as guerras que os EUA promovem ao redor do mundo desde sempre, disse: "nossa classe dominante - republicanos e democratas - tem mentido sistematicamente ao povo dos EUA para nos manter envolvidos em guerras no exterior".  

Não conhecemos a sua opinião sobre a abominável, execrável, odiosa, detestável, repelente, monstruosa, nefanda, asquerosa, horrenda, infame e deplorável frase proferida por Donald Trump na terça feira 7 de abril, enquanto se aproximava o prazo final para Teerã fechar o acordo com Washington e reabrir o Estreito de Ormuz: "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", referindo-se ao Irã.

Mas certamente deve ter reafirmado a sua acertada opção em renunciar e não ser cúmplice desta inacreditável ameaça, “incitação a crimes de guerra e potencial genocídio” como declarou o representante de Teerã na ONU.

Amir-Saeid Iravani também disse: "O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa”

Dito e feito, o Irã, que como disse Joe Kent, não representava ameaça nenhuma, deu conta do agressivo recado e está trazendo à tona o pesadelo norte-americano do Vietnã.

(*) Carlos Pronzato
Cineasta, diretor teatral, poeta e escritor
Sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB)
carlospronzato@gmail.com

O meu artigo quinzenal no jornal A TARDE, da Bahia. 14.04.2026
(*) OBSERVAÇÂO IMPORTANTE:  O título foi publicado errado. O título certo é:

E O IRÃ NÃO DESAPARECEU

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