Escrevo este relato não apenas como um desabafo, mas como um testemunho do que significa ser tratado com verdadeira dignidade. Durante anos, como policial civil e servidor público na Bahia, convivi com a dura realidade de um sistema de saúde que nos falhava diariamente. Nós, servidores, pagávamos religiosamente o Planserv — um plano de inadimplência zero que, com o tempo, ganhou o triste e merecido apelido de "mal-serve". Na hora da necessidade, procurávamos os hospitais e a recusa era certa. A dificuldade era a regra, não a exceção.
Hoje, minha realidade é outra. Resido no Rio Grande do Sul e, confesso, fui surpreendido pela forma como o sistema público pode e deve funcionar.
Há pouco menos de um mês e meio, fui ao posto médico local. Fui atendido, realizei os exames de sangue solicitados e fui para casa aguardar os próximos passos. O que aconteceu em seguida foi algo que, para muitos de nós que viemos de realidades de descaso, parece até ficção: recebi a saúde na porta da minha casa.
Fui honrado com a visita do Elpídio, um agente de saúde do bairro, homem trabalhador e de muito respeito. Ele não veio de mãos vazias; trouxe até a minha residência os documentos com o agendamento completo para o meu exame de colonoscopia, com data e horário marcados. E não parou por aí. Os materiais e o preparo necessários para o exame também já haviam sido entregues a mim, gratuitamente, na semana anterior.
Sabe quanto paguei por todo esse processo? Por esse tratamento ágil, humanizado e respeitoso? Absolutamente nada. Tudo foi garantido pela saúde pública, pelo SUS.
Quando ouvimos discursos de que "as coisas melhoraram" em nosso estado de origem, muitas vezes isso vem de pessoas que nunca saíram do ninho para ver como o mundo pode ser diferente. A melhoria real é essa que vivi: não precisar enfrentar filas intermináveis, não ter que implorar por um direito básico e ser acolhido na porta de casa.
Infelizmente, nossa Bahia ainda sofre com um atraso doloroso em diversas áreas, e a saúde é a mais crítica delas. Saúde é vida, e sem ela não somos nada. O tratamento que recebi no Rio Grande do Sul não deveria ser um luxo ou uma sorte regional; deveria ser a regra para todo e qualquer cidadão brasileiro.
CONFIRA VÍDEO:
Ver o sistema funcionar de forma tão perfeita me enche de gratidão pelo atendimento que recebi, mas também de esperança de que um dia possamos ver esse mesmo nível de respeito e cidadania alcançando todos os cantos do nosso país.
Autoria: Luiz Carlos Ferreira, Policial Civil aposentado na Bahia
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