ARTICULISTAS NARRATIVAS SELETIVAS
Narrativas seletivas e os pontos cegos da gestão passada
Enquanto se exalta desempenho econômico e obras, permanecem questionamentos sobre transparência, condução da pandemia e suspeitas de irregularidades. por CARLOS NASCIMENTO
08/04/2026 15h54 Atualizada há 3 horas
Por: Carlos Nascimento Fonte: por CARLOS NASCIMENTO

Publicado no ESPAÇO DO LEITOR, Jornal A TARDE,

Um artigo recente, intitulado “Incapacidade administrativa”, apresenta uma visão fortemente favorável ao governo anterior e crítica à gestão atual. O texto destaca ações econômicas, obras e medidas emergenciais, ao mesmo tempo em que atribui ao cenário atual uma série de problemas administrativos. No entanto, ao construir essa narrativa, acaba deixando de lado fatos relevantes e episódios que também marcaram aquele período, o que exige um contraponto mais equilibrado e baseado em uma análise completa dos acontecimentos.

O discurso que enaltece a gestão anterior costuma destacar obras estruturantes, indicadores econômicos e ações emergenciais. No entanto, esse retrato ignora uma série de episódios que levantaram dúvidas relevantes sobre a condução administrativa e o uso de recursos públicos.

Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, houve críticas consistentes à demora na negociação de vacinas e à postura do governo diante da crise sanitária. Investigações conduzidas pela CPI da Covid apontaram indícios de irregularidades em contratos, suspeitas de sobrepreço e possíveis favorecimentos em negociações envolvendo imunizantes.

Outro ponto que permanece sob questionamento diz respeito ao chamado “orçamento secreto”, mecanismo revelado em reportagens e posteriormente analisado pelo Supremo Tribunal Federal. A prática envolvia distribuição de recursos públicos sem transparência adequada, dificultando a fiscalização e levantando dúvidas sobre critérios políticos na liberação de verbas.

Além disso, denúncias relacionadas à interferência política em órgãos de controle, como a Polícia Federal, e suspeitas envolvendo familiares do então presidente contribuíram para um ambiente de instabilidade institucional. Esses fatores, somados a tensões com outros poderes e declarações controversas, impactaram a percepção de governança e credibilidade do país no cenário internacional.

No campo econômico, embora haja quem destaque resultados pontuais, especialistas apontam que parte dos números positivos esteve associada a fatores externos e medidas temporárias, como cortes de impostos e expansão de gastos em período eleitoral, o que também levanta debate sobre sustentabilidade fiscal.

Mais do que defender ou atacar governos, é preciso maturidade para analisar os fatos com responsabilidade. Não é razoável sustentar posições apenas por alinhamento ideológico, ignorando evidências ou relativizando problemas. A análise séria exige olhar crítico, sem paixões, sem distorções e sem conveniência. Quando a avaliação se baseia apenas em emoção ou torcida, perde-se a capacidade de enxergar a realidade como ela é.

O interesse público deve estar acima de qualquer narrativa, seja ela favorável ou contrária a quem está no poder.

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