O Centro Municipal de Controle de Endemias mantém um trabalho contínuo de vigilância e combate à leishmaniose no município, com ações que incluem o monitoramento do mosquito transmissor, investigação de casos e testagem de animais em diferentes regiões da cidade e da zona rural. A doença é causada por um protozoário e pode provocar a leishmaniose que acomete tanto animais — principalmente cães — quanto seres humanos.
Somente em 2025, o órgão municipal coletou 562 amostras de animais para testagem da doença. Desse total, 81 apresentaram resultado positivo no teste rápido e 36 casos foram confirmados posteriormente em laboratório, por meio da análise de amostras de sangue.
Nos cães, a doença — conhecida popularmente como calazar — apresenta como sinais mais comuns a queda de pelos, crescimento anormal das unhas, lesões na pele e emagrecimento progressivo. Diante de suspeita, os tutores devem procurar o Centro de Controle de Endemias para a realização dos testes.
“Quando há suspeita de infecção em cães, os agentes realizam o teste rápido, cujo resultado fica pronto em cerca de 20 minutos. Caso o exame apresente resultado positivo, é feita a coleta de sangue do animal para confirmação laboratorial no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen)”, explica o agente de endemias responsável por esse serviço, Ronaldo Lima.
Quando o resultado é confirmado em laboratório, o animal é submetido à eutanásia, medida recomendada pelos protocolos sanitários para evitar a manutenção do parasita no ambiente e reduzir o risco de transmissão pelo mosquito.
Além do atendimento à comunidade por demanda espontânea, as ações de vigilância também são realizadas de forma programada em áreas previamente identificadas como positivas para a presença do mosquito-palha, transmissor da doença. O levantamento é feito pelo setor de entomologia em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Ministério da Saúde.
Para identificar a presença do inseto, equipes instalam armadilhas em locais estratégicos, geralmente em residências ou propriedades rurais. Os equipamentos permanecem no local durante toda a noite, período de maior atividade do mosquito. No dia seguinte, os agentes recolhem as armadilhas e encaminham o material para o laboratório, onde os insetos capturados são separados, identificados e catalogados, permitindo mapear as áreas com maior circulação do vetor.
Outra frente de atuação é o controle químico nas áreas com maior risco de transmissão. A estratégia consiste na aplicação residual de inseticida, realizada com bomba costal, para reduzir a presença do mosquito transmissor. O controle químico é executado em ciclos, geralmente entre os meses de janeiro e maio e de agosto a dezembro, podendo se estender por até dois anos em determinadas localidades.
Paralelamente, as equipes realizam o chamado inquérito canino, que avalia a presença da doença na população de cães.
ÁREAS MONITORADAS
Atualmente, a programação de combate à leishmaniose contempla 47 áreas, entre bairros da sede do município e propriedades rurais localizadas nos distritos. Entre os locais que registraram maior número de casos no ano passado estão o distrito da Matinha, o povoado Genipapo, a sede de Ipuaçu e o povoado Fazenda Umbuzeiro.
Na sede do município, os bairros Campo do Gado Novo, Aviário, George Américo, Queimadinha, Caseb, Feira VII, Gabriela e Rua Nova, além das localidades de Caraíbas, Pampalona e Novo Horizonte, também estão entre as áreas monitoradas.
Segundo Ronaldo Lima, as ações têm atenção especial nas áreas rurais. “O foco maior são as fazendas onde há um índice elevado de cães com a doença e maior presença do protozoário”, destaca.
LEISHMANIOSE EM HUMANOS
De acordo com a enfermeira e referência técnica de leishmaniose da Vigilância Epidemiológica, Camila Sena, não houve registro de casos positivos em humanos no município durante 2025. Ainda assim, o monitoramento segue ativo em 2026, já que notificações de casos suspeitos continuam sendo investigadas pelas equipes de saúde.
“Hoje temos um cenário tranquilo. Em 2025 não tivemos casos positivos em humanos, mas seguimos em vigilância em 2026. Sempre que recebemos notificações suspeitas, realizamos a investigação no local e, até o momento, não houve confirmação da doença”, explica.
A leishmaniose é uma doença zoonótica e vetorial, ou seja, transmitida por um vetor — o mosquito flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha. A transmissão ocorre quando a fêmea do inseto pica um animal infectado, geralmente o cão, que funciona como reservatório da doença, e posteriormente pica uma pessoa.
“É importante destacar que a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, mas apenas por meio da picada do mosquito infectado”, acrescenta.
A doença pode se manifestar de duas formas principais nos seres humanos: a forma visceral e a forma tegumentar (cutânea ou mucosa). Na forma visceral, considerada a mais grave, o paciente pode apresentar febre prolongada, aumento do fígado e do baço, além de outros sintomas sistêmicos. Já na forma cutânea ou mucosa, surgem feridas ou lesões na pele e nas mucosas no local da picada do mosquito.
Segundo Camila Sena, o diagnóstico depende da forma clínica apresentada. “Na forma visceral, conseguimos confirmar por meio de teste rápido disponível no município. Já na forma tegumentar, a lesão é avaliada pelo infectologista e solicitado biópsia para confirmação”, detalha.
Apesar de preocupante, a doença tem tratamento, principalmente quando diagnosticada precocemente. Toda a rede de saúde está preparada para identificar e notificar casos suspeitos, enquanto o acompanhamento é realizado por infectologistas em ambulatório especializado. Nos casos mais graves, o diagnóstico pode ocorrer diretamente nas unidades hospitalares.
A enfermeira alerta que a prevenção é fundamental. Manter quintais limpos, evitar o acúmulo de lixo e matéria orgânica, cuidar da saúde dos animais e comunicar casos suspeitos às autoridades sanitárias são atitudes que ajudam a reduzir o risco de transmissão da doença.