Em artigo publicado na Folha de S. Paulo no último dia 28, Celso Rocha de Barros vaticina: “Flávie dará golpe de estade”. Irônico e galhofeiro, o competente sociólogo diz o que o próprio Flávio Bolsonaro, ou “Flávie”, já disse. Da boca do filho Zero Um, que outro dia apelou para a linguagem neutra não se sabe se por chiste ou apelo, ouvimos que, caso seja eleito, anistiará o pai. Na manifestação da Paulista no domingo, confirmou a intenção de libertar o presidiário, acrescentando que Jair subirá a rampa em janeiro de 2027. E ai do STF se disser o contrário.
Também colunista da Folha, Joel Pinheiro não gostou do que leu. Reclamou que “a esquerda brasileira tem sido pródiga na acusação de ‘golpe’ desde o impeachment de 2016”. O economista, que sonha com um “bolsonarismo moderado”, é também conhecido por suas posições, digamos, excêntricas. Há alguns anos virou notícia por defender que os brasileiros pudessem vender seus órgãos, supondo que o mercado, que, no seu entendimento, tudo regula, funcionaria para o bem de todos. Após a repercussão do assunto, Pinheiro tentou se justificar, depois disse que exagerou, mas não deixa de ser o mesmo liberalóide disposto a tudo para derrotar a esquerda.
Celso Rocha de Barros é um dos mais competentes analistas políticos do Brasil. Além de colunista da Folha, pode ser ouvido semanalmente no “Foro de Teresina”, podcast de política da Revista Piauí, que vai ao ar todas as sextas-feiras e conta ainda com os ótimos jornalistas Fernando de Barros e Silva e Ana Clara Costa. Já Joel Pinheiro é aquele que dá palpites na Globonews, quase sempre refutados pelos colegas, e escreve colunas na Folha, como a citada “A democracia não está em risco em 2026” (02/03).
O colunismo brasileiro já foi melhor. Mesmo reacionários que espinafravam a esquerda, como Nélson Rodrigues, eram muito mais respeitáveis do que os Pinheiro, Pondé e Borges da atualidade. Mas a culpa não é só de quem escreve, mas das empresas que abrem espaço para palpiteiros nocivos. A Folha está cheio deles, mas não apenas ela. Também o Estadão, O Globo e qualquer jornal do país.
As colunas da Folha estão infestadas de gente como Joel Pinheiro, contratado para agradar o “mercado” e atacar a esquerda, semana sim, outra também. Felizmente há aqueles que, como Celso Rocha de Barros, fazem valer a pena ler jornais.
Pela hipótese de Pinheiro, que apela à lavajatista “Transparência Internacional” para condenar o STF e busca desvincular o Zero Um do golpismo, o inconformismo de Celso não procede. De acordo com o escriba, que posa de anarcocapitalista, a questão é simples: “Bolsonaro tem voto; as lideranças alternativas, não”. Hitler também tinha votos, assim como Mussollini, Trump e Milei. Nem por isso deixamos de dizer que a democracia corre riscos, acrescentando que isso se deve, também, à estupidez de quem usa a caneta para passar pano para fascista.
(Publicado no Jornal A Tarde, 06/03/2026)
*COMENTE A MATÉRIA E COMPARTILHE, assim você estará apoiando o jornalismo independente.!*
*INSCREVA-SE* no Canal do YouTube do PÁGINA DE POLÍCIA - @tvpaginadepolicia
Clique no *"GOSTEI"* e COMPARTILHE...: