ARTICULISTAS Crime organizado
CNPJ, denúncias e memória de quem já enfrentou o sistema
Relato de Crispiniano Daltro sobre investigações, perseguições e o que ele chama de crime organizado institucional na Bahia.
03/03/2026 12h39 Atualizada há 3 horas
Por: Carlos Nascimento Fonte: por CRISPINIANO DALTRO

Quando digo “vamos buscar o CNPJ” diante de alguma suspeita de esquema, alguns fazem gracinhas. Mas, pelo que já fiz em diversas investigações sobre licitações, não tenho dúvidas de que essa denúncia é verdadeira. Falo do que considero crime organizado institucional aqui na Bahia.

Isso me faz lembrar do momento em que redigi minha carta de renúncia e desfiliação do PT e do movimento sindical na Bahia, após a invasão do SINDPOC, no dia 17 de fevereiro de 2008. Naquele período, eu nem ocupava mais o cargo de presidente. Durante a gestão, inclusive, estive afastado da direção sindical em 2005 para assumir o cargo de assessor do prefeito de Salvador, convidado para criar a estrutura da Guarda Municipal da cidade. Permaneci até 2007, quando concluí o trabalho e o encaminhei à Câmara de Vereadores.

Ao retornar à entidade, fui chamado pelo secretário da SAEB para tratar de um acordo com todos os sindicatos da FETRAB, da qual fui coordenador-geral. Fui o único que se recusou a assinar. Dias depois da minha negativa ao chamado “Acordo de Pelica” — o mesmo que o Sindpoc e a ADPEB assinaram — começaram as movimentações contra mim.

Os chefes do esquema tentaram jogar no meu peito a questão da OI, numa tentativa clara de me desgastar junto à categoria e à imprensa, como se eu fosse um sindicalista corrupto. Diante disso, denunciei o caso ao Ministério Público Estadual. Até hoje, nunca apresentaram sequer uma prova contra mim. Fizeram varredura, investigaram tudo. O único CNPJ encontrado foi o meu como profissional liberal em Administração, ainda assim como autônomo. Como os custos eram altos, cancelei.

E digo mais: ainda vamos ver muita coisa vir à tona na Bahia desde que se implantou esse modelo que chamo de crime organizado institucional.
Não se trata de bravata nem de provocação. Para Crispiniano Daltro, buscar o CNPJ é seguir o rastro. E, segundo ele, quando se segue o rastro, as estruturas aparecem.

A história, afirma, ainda não terminou.

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