ABU SIMBEL E CUBA: DUAS MARAVILHAS
Abu Simbel é uma das maravilhas que o gênio humano ofereceu ao mundo. É um conjunto arqueológico localizado em Núbia, no sul do Egito, com dois templos escavados na rocha pelo faraó Ramsés II no século XIII a.C., dedicado a si próprio e aos deuses egípcios.
A represa de Asuán, impulsionada pelo presidente Nasser, é uma mega construção que foi projetada entre 1956 e 1970 pelos governos egípcio e soviético para acabar com os alagamentos que aconteciam no território do baixo Nilo - próximo a Abu Simbel - como consequência do aumento repentino do caudal do Nilo.
Salvando a distância de milênios, Cuba é uma outra maravilha, que resiste, com todas as contradições próprias do ser humano, às investidas de décadas do seu vizinho poderoso, aos faraós do império dos EUA, agora empenhado em colocar um basta a esta experiência de modelo social que fugiu às suas ordens de exploração capitalista, a poucos quilômetros das suas costas. Cuba, é claro, a diferença de Abu Simbel, nunca teve um farão, tem uma democracia que - após a Revolução de 1959 que derrubou o regime corrupto pró-EUA do Batista - originada nos bairros e gratuita, chega até a Assembleia Nacional que escolhe o presidente pelo voto, diferente da troca bilionária ditatorial bipartidista dos EUA. E nem tem a riqueza proveniente de saques de guerras provocadas para usufruir dos recursos naturais alheios ou de governos pró-imperialistas que rezam a cartilha de Washington e entregam seus países e o trabalho dos seus povos por moedas.
Donald Trump, nesta nova ofensiva após o sequestro do presidente da Venezuela, tenta isolar a ilha do seu entorno, aprofunda o bloqueio de mais de 60 anos ao intensificar a asfixia energética da ilha, impondo tarifas e sanções a países que lhe forneçam petróleo, colocando a vida da população à beira da morte, sem medicamentos e nem alimentos. Mas Cuba não está sozinha, o México, país que tem a solidariedade no seu ADN, partiu na frente destinando navios carregados de petróleo, gesto que exige do Brasil uma ação similar, já que é um governo eleito sobretudo pela intensa ação dos seus movimentos sociais.
Entre 1964 e 1968, para evitar que os templos de Abu Simbel sejam submersos pelo lago Nasser após a construção da represa de Asuán, os templos foram cortados em milhares de blocos e realocados 65 metros acima do seu lugar original, num colossal esforço da UNESCO, com a intervenção de mais de 50 países. A maravilha arqueológica foi salva.
Não há mais tempo, diante da monstruosidade norte-americana que ameaça afundar a ilha no seu capitalismo letal, para salvar esta maravilha da História social contemporânea. É hora de que a solidariedade internacional salve Cuba, como salvou Abu Simbel.
Carlos Pronzato
Cineasta documentarista, poeta, escritor
sócio do IGHB (Instituto Geográfico e Histórico da Bahia).
carlospronzato@gmail.com