No meio da multidão, entre trios elétricos e portais de acesso, uma nova presença chama atenção no Carnaval da Bahia 2026: a Patrulha Inclusiva. A iniciativa inédita do Governo do Estado chega aos circuitos com uma missão clara — garantir inclusão, acessibilidade e cidadania para pessoas com deficiência (PcD).
A coordenadora da patrulha, tenente-coronel Ivana, explica que a atuação pode partir tanto da equipe quanto do próprio folião que precise de apoio. “Pode ser uma demanda espontânea, o policial ao contemplar um usuário de cadeira de rodas procura saber se tem alguma necessidade, ou pode ser ao contrário, um usuário de cadeira de rodas ou outra pessoa com outro tipo de deficiência procurar as patrulhas, que já estão devidamente orientadas para dar o suporte dentro do circuito do Carnaval”.
Ao todo, 25 patrulhas foram capacitadas pela Secretaria da Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) e atuam estrategicamente em pontos de grande circulação, como portais de acesso, áreas próximas a camarotes acessíveis, espaços destinados a permissionários com deficiência e nas imediações dos postos do Plantão Integrado dos Procons dos circuitos.
Para o superintendente das Pessoas com Deficiência da SJDH, Marcelo Zig, a iniciativa garante pertencimento. “É um sentimento de pertencimento que eu ainda não havia vivenciado no Carnaval de Salvador, que garante a permanência, garante a circulação e, através dessa ação, o Governo do Estado diz para uma pessoa com deficiência, sobretudo para a sociedade em geral, que o Carnaval, a festa popular, também deve e é território da pessoa com deficiência”.
Entre os foliões beneficiados pela ação está Marivaldo Brito, eletricista e cadeirante. Durante o circuito, ele foi acompanhado pela patrulha e avaliou de forma positiva a iniciativa. “Assim nos sentimos mais acolhidos”, disse.
Suporte diversificado
Quem precisar do apoio da Patrulha Inclusiva durante o Carnaval pode acionar o serviço pelo telefone 71 98196-5744. A atuação também contempla diferentes tipos de deficiência. A estudante Cristiane Oliveira, que tem deficiência visual, foi acompanhada pela equipe durante o circuito e destacou a importância do suporte para circular com mais segurança e tranquilidade em meio à multidão.
“Para mim é um divisor de águas, porque imagine você estar aqui nesse barulho todo e, de repente, se perder de quem está te conduzindo. Como é que você se acha sem enxergar nessa multidão? A gente tem a quem pedir socorro. Pega o celular e chama a Patrulha Inclusiva”, explicou.
Repórter: Monique Adorno