O lulopetismo não queria Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos, como adversário da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Enfrentar um candidato que governa o Estado que tem o maior colégio eleitoral do Brasil e faz uma gestão razoável seria muito arriscado. Uma surpreendente votação de Tarcísio no seu reduto eleitoral poderia decidir o pleito.
Todo chefe do Palácio dos Bandeirantes é um forte presidenciável quando faz um bom governo. O problema é o eleitorado nordestino, que termina fazendo a diferença. Não à toa que o imprescindível conselho é convidar uma liderança política do nordeste para compor a majoritária como vice.
Quando então pré-candidato, Tarcísio sonhava em ter ACM Neto, ex-prefeito de Salvador por dois mandatos, vice-presidente nacional do União Brasil, como seu vice. Tiveram algumas conversas.
ACM Neto até que ficou balançado com o chamado de Tarcísio. As pesquisas apontando uma crescente desaprovação do governo Jerônimo Rodrigues (PT) fizeram o ex-alcaide deixar o convite de lado.
Outro ponto que pesou para que Neto não aceitasse o convite de Tarcísio, foi o fato de ser rotulado de "fujão" pela segunda vez, deixando seus correligionários a ver navios. O nome ventilado para substituí-lo na sucessão estadual seria o de Bruno Reis (União Brasil), prefeito de Salvador.
Como na política tudo pode mudar com um piscar de olhos, já há um começo de entendimento no staff do lulopetismo de que o melhor era Tarcísio ser candidato à Presidência da República.
Com Tarcísio na disputa presidencial, desistindo da reeleição para o governo de São Paulo, o caminho ficaria aberto para que Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente da República, retornasse ao governo de São Paulo, passando a ser o maior "cabo eleitoral" do quarto mandato do petista-mor no maior colégio eleitoral do país.
Como a campanha da reeleição de Lula não pode ficar sem um candidato a governador de São Paulo, o morador do Alvorada vai ter que convencer Alckmin ou o ministro Fernando Haddad para a difícil missão de enfrentar Tarcísio de Freitas.
Como não bastasse esse dilacerante dilema envolvendo à sucessão do cobiçado comando do Palácio dos Bandeirantes, tem a ameaça de uma delação premiada de Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como "Careca do INSS", que promete entregar informações sobre seus negócios com Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Lula.
Lembrando ao caro e atento leitor que a CPMI do INSS está analisando dois requerimentos de quebras de sigilo bancário e fiscal do senador-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de Fábio Lula da Silva.
É aquele velho ditado popular, cada vez mais se encaixando como uma luva na política: "quem tem telhado de vidro, não joga pedra no telhado dos outros".
COLUNA WENSE, SEGUNDA-FEIRA, 16.02.2026.
Sobre o autor:
(*) Marco no Página de Polícia e em diversos sites. Seus textos combinam linguagem acessível com rigor argumentativo, sempre marcados por um tom crítico, combativo e atento às questões sociais.
Atua na defesa dos direitos dos trabalhadores, denuncia privilégios e excessos do poder e cobra, de forma constante, o respeito à Constituição. Sua coluna tem forte repercussão regional e circulação nos meios políticos, alcançando inclusive gabinetes do Legislativo municipal, estadual e federal.
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