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Bloco da Capoeira leva “Roda de Mandinga” ao Campo Grande e reafirma ancestralidade e resistência no Carnaval
O Circuito Osmar (Campo Grande) recebeu, na noite de quinta-feira (12), o desfile do Bloco da Capoeira, que este ano apresenta o tema “Roda de Mand...
13/02/2026 11h20
Por: Redação Fonte: Secom Bahia

O Circuito Osmar (Campo Grande) recebeu, na noite de quinta-feira (12), o desfile do Bloco da Capoeira, que este ano apresenta o tema “Roda de Mandinga: Ancestralidade e Resistência na Arte de Sambar”. A proposta reafirma a capoeira como tecnologia cultural, prática ancestral e instrumento histórico de resistência do povo negro, além de valorizar as rodas como espaços de transmissão de saberes, memória e identidade brasileira.

Entre gingas, cantos e toques de berimbau, o cortejo reuniu a ala das baianas, dos malungos, a berimbalada, os n’gomas e as expressões corporais que deram plasticidade e força ao desfile.

Fundado em 2001, o Bloco da Capoeira integra as ações da Associação Sócio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá, entidade sem fins lucrativos sediada no bairro do Pau Miúdo. A associação atua na promoção e preservação das manifestações culturais de matriz africana, desenvolvendo ações socioculturais, socioeducativas e produtivas voltadas a comunidades em situação de vulnerabilidade.

Para Tonho Matéria, cantor, compositor e gestor da Mangangá, o bloco é resultado direto do trabalho realizado ao longo do ano. “A política pública, através do Ouro Negro, nos dá a possibilidade de avançarmos nas nossas ações. São iniciativas que permitem levar a nossa cultura adiante, mostrar através do corpo e da plasticidade da capoeira quem somos”, afirma.

Segundo ele, a associação está presente em 13 comunidades, promovendo cursos profissionalizantes em diferentes áreas, como maquiagem e fotografia, oportunizando e empregando jovens. “São mais de 600 pessoas empregadas. O bloco é o reflexo de tudo isso”, destaca.

O desfile também homenageou espaços simbólicos da capoeira e da cultura popular, como a Roda da Gengibirra, no bairro da Liberdade; a Rampa do Mercado Modelo; Fazenda Grande do Retiro; Ribeira; Terreiro de Jesus; Itapuã, entre outros espaços onde a roda se mantém viva como prática comunitária.

Para quem integra o bloco, o carnaval é também espaço de pertencimento. Carolina Cardeal Matos, 35 anos, colaboradora há quatro anos, contou que começou trabalhando e acabou se apaixonando. “Venho para trabalhar, mas me divirto muito e conheço muitas pessoas. Fui muito bem acolhida. Meu irmão é professor de capoeira e também está como colaborador”, relata.

A estudante Alana de Assis, 14 anos, integrante de um dos grupos da Mangangá, participa pela primeira vez do desfile. “Está sendo incrível. O mestre Tonho Matéria nos dá oportunidade. É a minha primeira vez no bloco e está sendo maravilhoso”, afirma.

A mobilização também envolve movimentos que lutam por políticas públicas para a capoeira. Glenda Lima, coordenadora do coletivo Capoeira em Movimento Bahia (CMB), destaca a importância da união no Carnaval. “Somos vários grupos e movimentos lutando por políticas públicas efetivas para a capoeira. Uma delas é que ela se torne componente curricular nas escolas. No Carnaval, unimos forças para celebrar e também para mobilizar, para que as pessoas conheçam mais a influência que a capoeira exerce no Brasil e no mundo”, diz.

O alcance internacional da arte também se fez presente. O mestre de capoeira Luciano Souza, 52 anos, morador da França e professor de percussão, trouxe alunos franceses para vivenciar a experiência. “Essa junção de culturas é muito importante para o nosso Carnaval”, afirma.

Fonte

Ascom/Secult-BA