Daniel Vorcaro
A prisão de , dono do Banco Master, e de Augusto Lima, empresário baiano ligado ao grupo, marcou um dos maiores avanços da Polícia Federal no combate a fraudes no sistema financeiro nacional. As operações ocorreram entre segunda e terça-feira e fizeram parte da Operação Compliance Zero, que desarticulou um esquema de fabricação de carteiras de crédito fictícias que teriam sido negociadas como se fossem legítimas.
A ação se estendeu por cinco estados e atingiu também instituições e estruturas que, até então, funcionavam com aparência de legalidade. Em Salvador, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão na ASSEBA e na ASTEVA, duas associações de servidores estaduais que, segundo as investigações, teriam sido usadas para dar lastro a supostas carteiras de crédito que nunca existiram. Essas entidades serviram como base documental para operações que mascaravam a origem e a real qualidade de ativos negociados entre o Master e outras instituições.
A investigação começou em 2024, após indícios de que o Master vinha criando carteiras de crédito simuladas ou infladas para emitir títulos repassados a outros bancos. Quando o Banco Central apertou a fiscalização, esses títulos teriam sido substituídos às pressas por ativos sem avaliação técnica adequada. A partir disso, Ministério Público Federal e PF aprofundaram as apurações e encontraram indícios de irregularidades graves, incluindo documentação produzida para justificar operações bilionárias com o BRB.
Com a escalada das suspeitas, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, colocando a instituição sob administração especial e tornando indisponíveis bens de controladores e ex-administradores. A medida interrompeu um ciclo de crescimento que se sustentava principalmente na oferta de consignado a servidores estaduais e municipais.
Augusto Lima
As prisões de Vorcaro e de Augusto Lima foram vistas como essenciais para esclarecer a cadeia de responsabilidades. Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos enquanto se preparava para viajar ao exterior, e Lima, conhecido por criar o CredCesta, foi preso em Salvador como parte da mesma investigação.
As estimativas sobre o rombo variam, mas há indicações de que o esquema pode ter movimentado bilhões de reais. A PF agora busca entender a extensão completa das operações e todos os pontos da rede que permitiram que o sistema funcionasse por tanto tempo.
A Cesta do Povo e as denúncias sobre consignados
Dentro desse cenário, a presença da Cesta do Povo/CredCesta no grupo Master chamou ainda mais atenção. Embora a marca seja tradicional na Bahia, ela se transformou nos últimos anos em uma plataforma de crédito consignado voltada principalmente para servidores públicos. Esse modelo, que promete facilidade e rapidez, vem sendo alvo de críticas severas.
O CredCesta oferece cartões e empréstimos descontados em folha com juros considerados muito altos e prazos extensos. Muitos servidores denunciam a abordagem insistente dos promotores, que chegam a ligar a cada poucos minutos, usando diferentes argumentos para convencer o servidor a contratar crédito. Aposentados, em especial, relatam dificuldade para interromper as ligações ou entender completamente os contratos oferecidos.
QUANDO O ESTADO FECHA OS OLHOS: a manutenção do CredCesta entre os consignatários
O volume de queixas explodiu e se transformou em uma enxurrada de ações judiciais contra o Banco Master e a Cesta do Povo/CredCesta. Os relatos se repetem: descontos indevidos, empréstimos não autorizados, cobranças abusivas e falta de transparência. O que mais revolta é que, mesmo cercadas por denúncias e processos, essas empresas continuam credenciadas pelo Governo da Bahia para operar consignados com servidores estaduais. E aí surge a pergunta que não quer calar: por que o governo mantém, dentro do próprio sistema, instituições tão contestadas? A permanência delas levanta dúvidas sérias sobre fiscalização, critérios de habilitação e a responsabilidade direta do Estado ao permitir que um serviço tão sensível siga nas mãos de quem acumula tantas irregularidades.
A conexão entre as práticas da Cesta do Povo e o esquema investigado pela PF reforça a necessidade de rever o modelo de concessão de consignados e a forma como empresas privadas se relacionam com servidores públicos.
A Operação Compliance Zero escancara que não se trata apenas de crimes financeiros de alto nível, mas também de estratégias que afetam diretamente o bolso e a vida dos trabalhadores — muitos deles idosos, vulneráveis e dependentes do salário mensal.
Capitão Tadeu Comenta:
O dono do Banco Master acaba de ser preso ao tentar deixar o país. Vale lembrar que o Banco Master é o responsável pelo golpe do CredCesta, que atingiu milhares de servidores públicos da Bahia.
Governador, é preciso investigar as ligações desse criminoso com autoridades do estado.
Governador, de que forma esse grupo teve acesso aos dados pessoais dos servidores públicos? Como conseguiram incluir descontos indevidos e inexistentes no contracheque de tanta gente sem qualquer controle?
Governador, por que, mesmo com inquéritos e ação civil pública apontando o golpe, o governo segue permitindo que esses valores fraudulentos sejam descontados? Vai suspender imediatamente esses lançamentos e devolver o que foi tirado dos servidores?
Os servidores públicos da Bahia merecem uma resposta clara para esse escândalo.
Luiz Ferreira comenta:
Parabéns à plateia que pagou ingresso para assistir a repetição desse enredo.
Faz tempo que eu alerto: o Banco Master e o Credcesta formam uma instituição criminosa. E, sinceramente, dá até saudade dos “escândalos” da motociata, do jet ski e até do da baleia.
Se tivéssemos um sindicato de fato atuante, este seria o momento de enfrentar a situação financeira desastrosa em que a categoria está mergulhada, com quase 90% dos servidores endividados em consignados. Sempre repeti que o Banco Master/Credcesta atua como uma organização criminosa em parceria com o Governo da Bahia. Só não enxerga quem não quer.
O que fazem é agiotagem oficializada, um ataque direto aos servidores públicos. E, antes que alguém pergunte onde o Governo da Bahia entra nessa história, explico: o governo aperta o salário do servidor até o limite, empurrando pais e mães de família para o abismo financeiro. A única “tábua de salvação” que sobra é justamente o Banco Master, que de forma ardilosa toma o dinheiro do trabalhador sem que ele sequer perceba, já que o desconto é feito direto no contracheque. Isso é crime organizado com autoria e materialidade: Banco Master, Credcesta e Governo da Bahia.
Banco Central decreta liquidação do Banco Master
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