A política de guerra às drogas tem falhado, e o Massacre do Alemão e da Penha, em 28 de outubro no Rio de Janeiro, é uma prova disso. Afinal, 121 mortos; dois procurados nos mandados de prisão do MP não foram encontrados; e o tráfico segue intacto, como sempre. São pelo menos 50 anos de “combate” ao tráfico — e ele só cresce. A conta não fecha.
Quando se diz que a guerra às drogas é uma guerra aos pobres, basta constatar a realidade. A polícia entra em territórios periféricos, atira, mata, fecha comércios e escolas. E o governo comemora uns fuzis apreendidos. A imprensa hegemônica, bovinamente, transforma a tragédia em espetáculo.
Os imponentes comentaristas brancos — nem todo branco, mas sempre um branco —, dotados de autoridade absoluta, aparecem na TV para justificar as mortes. Outros se escandalizam porque o presidente finalmente deu nome ao elefante na sala: “Matança.” (E isso não faz de Lula um herói.) Há algo profundamente errado quando a imprensa se ofende mais com a palavra “massacre” do que com 121 pessoas mortas pelo Estado em menos de 24 horas.
No dia 29, o tráfico não sumiu. Nem no dia 30. Na semana seguinte, com o sangue já lavado das calçadas e mães ainda enlutadas, tudo segue igual: novos soldados, novas armas, mais dinheiro circulando. As drogas seguem acessíveis — na Cracolândia ou nas baladas da Vila Olímpia. O Estado mata, o tráfico cresce. E agora, José?
Quando o termo “legalização das drogas” surge, instala-se o pânico moral. Segundo os mais histriônicos, seria o fim dos tempos: fogo caindo do céu, bebês “drogados” nas creches e uma orgia apocalíptica de insanidades verbais. Em vez de discutir como reduzir o poder do crime e gerar tributos pela regulamentação — já que vivemos no capetalismo —, o governo federal repete a fórmula da direita: mais penas, mais prisões, mais encarceramento.
De onde vieram as facções criminosas? Do cárcere. É o Estado alimentando o monstro que criou. A direita, por sua vez, propõe classificar traficante como terrorista e abrir espaço para “guerras ao terror” internacionais no nosso quintal.
De um lado e de outro a solução é sempre a mesma: guerra ao pobre, não à droga. O impacto das imagens já se dissipou, o eco das vozes nas ruas enfraquece, e outro assunto já ocupa as manchetes. Aqui na Ponte, seguimos acompanhando o que é silenciado pela pressa da audiência. Nosso compromisso com os direitos humanos não é slogan. É o que sustenta o que fazemos.
(*) Jessica Santos (Ponte Jornalismo)
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