A recente mudança na diretoria de presídios da Bahia abriu uma crise interna entre policiais penais e reacendeu o debate sobre os critérios usados para comandar unidades prisionais no estado. O diretor adjunto do Conjunto Penal de Lauro de Freitas, Erico Geraldo dos Santos Souza, foi exonerado e nomeado para dirigir o Conjunto Penal de Irecê, a quase 480 km de Salvador. Ele substitui o policial penal Emanoel Eloi Alecrim Mendes.
A alteração, publicada no Diário Oficial da última quinta-feira (13), provocou surpresa e desconfiança na categoria. Interlocutores ouvidos pela imprensa afirmam que causa estranheza a escolha de um nome fora do quadro de concursados, sem experiência consolidada no sistema prisional e que já foi reprovado em seleções para a Polícia Militar e Civil. “Como é que o cara faz concurso para PM, é contraindicado na investigação social e é nomeado diretor de presídio?”, questionou um servidor que pediu anonimato.
Erico Geraldo, segundo relatos, já foi segundo tenente do Exército Brasileiro e tentou ingressar na Polícia Militar, mas foi eliminado após contraindicação na investigação social. Também não avançou em concursos da Polícia Civil e dos Correios. Ainda assim, em 2023, obteve credenciamento junto à Polícia Federal para manuseio de arma de fogo, o que teria reforçado sua posição na SEAP. Fontes afirmam que sua nomeação tem apoio direto do secretário José Castro, de quem seria próximo.
A movimentação ocorre em um momento sensível para a administração penitenciária baiana. Neste ano, o presídio de Lauro de Freitas foi alvo de uma operação que mirou facções criminosas com atuação dentro das unidades do estado. Nas ações, foram apreendidos celulares, drogas, armas artesanais e cadernos com anotações suspeitas. Os trabalhos integraram vistorias em outras unidades, como a Penitenciária Lemos Brito e a Cadeia Pública de Salvador, em meio ao avanço de organizações como o Comando Vermelho.
A SEAP, por sua vez, afirma que a troca é parte de uma política de renovação interna e que mudanças desse tipo são “normais” tanto no serviço público quanto no setor privado. Policiais penais contestam. Para eles, a direção de presídios exige experiência operacional, conhecimento técnico e preparo específico, principalmente diante de um cenário em que o estado acumula sete fugas desde dezembro de 2024 e 30 detentos foragidos, dos quais apenas cinco foram recapturados até outubro.
A nomeação de Erico Geraldo reacende a discussão sobre a profissionalização da gestão prisional na Bahia e expõe a tensão entre a categoria e a Seap. Em meio ao avanço de facções e ao aumento das fugas, policiais penais cobram critérios mais rigorosos e transparentes para postos de comando.
Enquanto o governo trata a troca como rotina administrativa, servidores enxergam sinais de improviso e influência política num setor que exige preparo e responsabilidade redobrados.
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