POLÍTICA ENTROU ÁGUA...
A revolta dos ‘patriotas’
Entrada de Carlos Bolsonaro na disputa pelo Senado por Santa Catarina gera cisão inédita no estado mais alinhado ao ex-presidente.
10/11/2025 10h49
Por: Carlos Nascimento Fonte: Editoria de Política

O estado de Santa Catarina é o mais bolsonarista do país.

Em 2022, o então candidato Jair Bolsonaro teve aproximadamente 70% dos votos na disputa contra Lula no segundo turno.
Quatro anos antes, Bolsonaro teve cerca de 65% dos votos contra o petista Fernando Haddad.
E a devoção do catarinense pela família não se atém às urnas.

Neste ano, a cervejaria artesanal LindenBier lançou um rótulo em homenagem ao ex-presidente.

A cerveja “Presidente Bolsonaro”, com o lema “sabor da liberdade”, chegou a ser vendida em algumas lojas no varejo em Blumenal – a capital brasileira da cerveja. O produto acabou rápido.

Virou item de colecionador. Em 2022, circulou pelo território a “Cerveja Patriota”, também em referência ao ex-presidente.

Com esse histórico eleitoral e essa devoção pelo ex-presidente, seria absolutamente plausível se imaginar que o catarinense iria abrigar qualquer integrante da família sem pestanejar.

Deu certo com Jair Renan, que conseguiu, no ano passado, um carguinho na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú; daria certo com Carlos Bolsonaro, que transferiu seu título no mês passado para o estado de olho em uma vaga para o Senado.

Mas há uma pedra no meio do caminho, como diz o poeta. E essa pedra se chama bancada bolsonarista na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

A insistência de Carlos Bolsonaro em disputar o Senado — após uma ordem explícita de Jair Bolsonaro — expôs, de maneira clara, não somente o modus operandi da família (Bolsonaros acima de tudo e de todos) como um racha dentro do grupo que hoje dá suporte ao clã no estado.

De quebra, o estratagema pode comprometer, inclusive, uma reeleição considerada certa de outro aliado de primeira ordem do ex-presidente: o governador Jorginho Mello (PL).

Até o início do ano, o plano para as eleições em 2026 em Santa Catarina era simples: a deputada Caroline de Toni (PL-SC) lançaria sua candidatura ao Senado em uma coalizão com o PP, que teria Esperidião Amin (PP-SC) como segundo candidato, e os dois dariam sustentação à reeleição de Jorginho Mello.

O acordo envolveria uma mega coligação que reuniria PP, PL, União Brasil, MDB e, por força das circunstâncias, teria condições de atrair…

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