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SEGURANÇA PÚBLICA: Reflexões de um Estado Doente
É O QUE PENSO: Entre a omissão do poder público e a perda de valores sociais, a urgência de repensar o papel do Estado e da sociedade. Por Bel. Luiz Ferreira
31/10/2025 16h12
Por: Carlos Nascimento Fonte: Por Bel. Luiz Ferreira

Por Bel. Luiz Ferreira

É imprescindível que ocorram discussões e abordagens sérias sobre segurança pública, um tema tão complexo e vital, para que possamos extrair propostas concretas e oferecê-las aos nossos governantes — e que eles, de fato, as coloquem em prática.

A segurança pública sempre foi tratada com descaso, como uma pasta de pouca relevância. No nosso estado, por exemplo, já tivemos gestores que pouco ou nada entendiam do assunto, como Ênio Mendes, Afrísio Vieira Lima e, mais recentemente, Ricardo Mandarino. A gestão pública precisa ser conduzida por pessoas preparadas, que compreendam as engrenagens do sistema. Não vemos, na Saúde, gestores que não sejam profissionais da área, tampouco na Educação. Já na segurança pública, infelizmente, já tivemos de tudo — inclusive secretário afastado por determinação do STJ, por supostas práticas criminosas.

A ausência do Estado em garantir direitos fundamentais como educação, habitação, saúde e segurança abre espaço para o avanço do poder paralelo, isto é, o crime organizado dominando territórios e comunidades onde o Estado deveria estar presente e atuante.

A morte violenta, especialmente o homicídio, passou a ser observada sob uma ótica sociológica quase naturalizada, como se fosse algo inerente à condição humana. No entanto, chacinas, crimes em série ou intervenções policiais com grande número de óbitos exigem reflexão profunda. Esses episódios expõem a anomalia político-social de um país onde tanto as normas formais quanto as de conduta carecem de revisão urgente.

As leis brasileiras são brandas com o crime. A Lei de Execução Penal não cumpre seu papel de ressocializar, como demonstra a alta reincidência de quem passa pelo sistema prisional. A população, por sua vez, descrê do Judiciário. Não é possível confiar plenamente na lei quando observamos tratamentos diferenciados baseados em fatores financeiros, sociais e políticos.

O Direito ensina que a lei é erga omnes — “a lei que vale para um, vale para todos” —, mas a prática mostra outra realidade.

A sociedade brasileira clama há décadas por justiça e igualdade, mas essas conquistas não virão por meio de ideologias políticas. A mudança precisa ser cultural e moral. É urgente deixarmos de lado o hábito de “levar vantagem em tudo”, aprendermos a ser verdadeiramente honestos e resgatarmos a família como célula formadora dos valores essenciais do ser humano. Devemos reaprender o respeito aos mais velhos, a convivência com urbanidade, a importância da hierarquia e da disciplina, e o senso simples, mas fundamental, de que “achado não é roubado” — tudo tem um dono.

Acredito sinceramente que o homem livre e de bons costumes é hoje minoria, mas não me dou por vencido. Jamais me inclinarei diante dos absurdos e das indignidades que testemunhamos diariamente.

Como disse Friedrich Nietzsche: É difícil viver com as pessoas porque calar é muito difícil.

A morte não é a cura — é apenas o sintoma mais evidente de uma sociedade adoecida, enfraquecida pela omissão do Estado e pela perda dos valores humanos mais básicos. A recuperação dessa saúde social começa com consciência, educação, ética e coragem para mudar.