CONFIRA ÁUDIO ACIMA
O recente confronto ocorrido no Rio de Janeiro, que resultou na morte de quatro agentes da lei e dezenas de criminosos, reacendeu o debate sobre a real situação da segurança pública no Brasil. Em áudio enviado ao jornalista Carlos Nascimento, o Bel. Luiz Ferreira fez uma reflexão franca e crítica sobre o cenário atual, marcado — segundo ele — pelo amadorismo governamental e pela crescente influência do crime organizado nas instituições.
Ferreira começou abordando a falta de clareza nas informações oficiais sobre o número de mortos na operação. “Uns falam em 120, outros em 60, ou 100. Ninguém sabe o número exato. Mas sabemos que quatro agentes da lei perderam a vida”, disse, lamentando ainda o estado de saúde de um delegado ferido.
Para ele, o episódio evidencia a fragilidade estrutural da segurança pública brasileira. Embora o artigo 142 da Constituição trate do tema, a interpretação sobre quem deve assumir a responsabilidade — governo federal ou estados — continua dividida. “Há quem diga que é dever do governo, outros afirmam que é dever de todos. Mas o que se vê é que o crime não está mais se instalando nos estados; ele já está enraizado”, alertou.
Ferreira criticou a falta de padrão salarial e de procedimentos entre as forças estaduais, além da ausência de uma política nacional integrada de segurança. Também mencionou a polêmica sobre a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), rejeitada pelo presidente da República, o que, segundo ele, expõe a falta de coordenação entre os entes federativos.
Ao elogiar o trabalho das forças policiais fluminenses, o bacharel destacou que, mesmo diante das perdas humanas, a operação mostrou coragem e preparo dos agentes. “Numa guerra, todos sabemos que se mata e se morre. E quando vamos para ela, temos que estar preparados”, afirmou.
Ferreira também fez duras críticas a especialistas e gestores que, segundo ele, “nunca enfrentaram o crime nos becos e vielas”, mas opinam sobre segurança pública de forma distante da realidade. Para ele, a vocação e a inteligência prática são essenciais na atuação policial — atributos que não se medem apenas por títulos acadêmicos.
Em tom nostálgico, relembrou tempos em que a polícia tinha maior contato direto com as comunidades e detinha informações precisas sobre criminosos. “Hoje, se o policial conviver com alguém para obter informações, corre o risco de ser acusado de associação ao crime”, lamentou.
Ferreira ainda apontou o avanço do crime de colarinho branco nos três poderes e defendeu que o país precisa de uma “sepsia institucional” para restaurar o equilíbrio social e garantir o direito fundamental de ir e vir. “O Estado deixou a segurança pública à deriva, por falta de competência e apoio jurídico, inclusive do Ministério Público e do Judiciário”, concluiu.
A fala do Bel. Luiz Ferreira traduz a inquietação de muitos profissionais da segurança pública que sentem o peso da criminalidade crescente e a falta de estrutura estatal. Entre a coragem dos que enfrentam o crime e o descaso de quem deveria garantir políticas eficazes, o país segue tentando equilibrar-se entre a ordem e o caos.
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