Não podemos ficar omissos para certas situações do nosso cotidiano, atualmente seja através da mídia telejornalística ou redes sociais, acompanhamos diversas opiniões a respeito da violência, algumas nos deixam estarrecidos devido a quantidade de desinformações contidas nos conteúdos apresentados como informação, todas recheadas de teorias genocidas, como se matar fosse a única solução para o problema, se transformando em um produto disseminador de medo, vingança e desarranjo social, apavorando a população e causando terror.
A falta de responsabilidade cultural e social, alimentada ao longo de décadas, se intensificaram na contemporaneidade de forma descontrolada, principalmente com o uso da mídia sensacionalista, vinculadas por programas de baixa qualidade intelectual e argumentativa, com pautas racistas, discriminatórias, associadas a uma carga de atitudes preconceituosas sobre territórios de convívios comunitários, com exibições em períodos de duas horas diárias, de forma alienante, e de massificação do terror, utilizando-se para isso a repetição incessante de um mesmo fato violento. Podendo se perceber e imaginar o que resta como produto resultante desse processo, surgido então as opiniões infundadas e fora de contexto.
Despertando narrativas criadas e disseminadas a partir de discursos populares e políticos, geralmente envolvidos em corrupções, chegando aos mais humildes e desprovidos de informação, passando pelos aproveitadores, estelionatários e usurpadores do erário público, que se autointitulam formadores de opinião, verdadeiros bandidos, responsáveis e fomentadores de criminalidade. Analisemos o contexto, todo espaço socialmente vago, será sempre ocupado por alguém que se aproveitando da ausência estatal, ocupam esses espaços politicamente abandonados pelo poder público, cria-se então uma ordem paralela, com base em novas regras de convívio, surgindo então as organizações criminosas ou o crime organizado, nomenclatura decorrente da participação de agentes e ex-agentes públicos em sua composição organizacional.
Sendo assim a discussão sobre violência e criminalidade, não se ressume apenas, a acusar, prender, encarcerar, matar ladrão de galinha, usuários de drogas entre outros acometedores de pequenos delitos. Combate à violência e a criminalidade, está muito além das compreensões individuais, abrangendo dimensões sociológicas e coletivas. Quando se trata de crimes como, corrupção, desvio de verbas públicas, merenda escolar, vacinas, estelionatários de grandes e pequenos volumes patrimoniais, crimes de colarinho branco, grandes patrocinadores do comércio de drogas, contrabando de armas, patrocinadores do crime organizado, ou de organizações criminosas, grilagem e apropriação de terras, entre outros causadores de rupturas sociais mais abrangentes, e que afetam serviços públicos essenciais para o conjunto da sociedade como; educação, saúde e segurança. São crimes que estão longe do imaginário popular e de seu volume, passando desapercebido do contexto de apelação midiática e da comoção social, na exigência de justiça, apuração dos fatos com rigor, e o encarceramento dos culpados, bem como a reparação do dano cometido.
Fica então demonstrado que a própria sociedade é quem elege suas prioridades no combate à violência e criminalidade, ou seja, através de uma hierarquia social no acometimento do crime e o tipo. Portanto as narrativas de combate à criminalidade e violência são tão discriminatórias, que os julgamentos populares atuais se assemelham ao ocorrido entre “Barrabás” e “Jesus Cristo”, quando julgados em praça pública. Levando-se em consideração ainda as condições financeiras do autor, ou meio que pertence, além de recorrerem aos recursos judiciais e advocatícios, onde esses chegam a admitir publicamente a inocência de seus clientes, mesmo quando são apresentadas provas irrefutáveis e visíveis, não se questiona o direito da defesa, mas, a tentativa da prática do ilusionismo explicito na aplicação do direito, um grande artifício usado na atualidade, são as desqualificações investigativas de responsabilidade das instituições qualificadas através dos instrumentos legais postos, entre eles a cadeia de custódia, tenta-se defender clientes não através da dialética e da hermenêutica jurídica, mas com a desqualificação do trabalho profissional de outros, esses empenhados no combate as ações criminosas, sejam seus autores, ladrões de galinhas, sejam de grandes corruptos e politiqueiros com mandatos.
Que geralmente saem através de seus habeas corpos, se dizendo perseguidos, e que vai provar as suas inocências, enquanto os ladrões de galinhas permanecem no cárcere por tempo indeterminado, entregues a própria sorte.
(*) Marcos Antônio de Souza.
# Formado em Licenciatura Plena em Educação Física - UCSAL
# Mestre em Segurança Pública, Justiça e Cidadania - UFBA
# Especializações: Metodologia do Ensino Superior - FESP/UPE
# Especialização em Prevenção da Violência, Promoção da Segurança e da Cidadania – UFBA
# Especialização em Planejamento Estratégico – ADESG
# Especialização em Inteligência Estratégica – ADESG
# Gestão da Investigação Policial, do Programa de Desenvolvimento Permanente para Gestores da P. Civil e da P. Técnica – Fundação LuísEduardo Magalhães/Academia de Polícia Civil.
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