A reforma administrativa, apresentada em diversas propostas, representa um ataque frontal ao serviço público. Ela ameaça a meritocracia na entrada, com salários iniciais reduzidos e a flexibilização do concurso público para "experientes", além de endurecer o estágio probatório. Para os servidores atuais, impõe restrições ao teletrabalho e busca diminuir carreiras, com risco de precarização e desvalorização. Em suma, estas propostas visam fragilizar o pilar do Estado em detrimento da valorização do servidor.
A Remuneração e Benefícios, são ataque aos Direitos Adquiridos?
A seção sobre remuneração é uma das mais sensíveis, pois toca diretamente nos direitos e na estabilidade financeira dos servidores. Vejamos.
No que toca as férias de 60 Dias. A proibição de férias superiores a 30 dias e a limitação do adicional de férias a um terço da remuneração é um ataque direto a direitos adquiridos por diversas categorias (como no Judiciário e Ministério Público, mencionadas nos comentários), cujas férias alongadas são muitas vezes uma compensação por regimes de trabalho exaustivos e sem horas extras. A proibição de "venda" de férias ignora que para muitos servidores, essa é uma forma de compensar perdas salariais e não um privilégio. Qualquer alteração nesse sentido deve respeitar a autonomia e as especificidades de cada Poder.
No que tange aos Supersalários e Verbas Indenizatórias.
A proposta de atacar os "supersalários" por meio da proibição de licenças e vantagens não previstas em lei e atos infralegais que aumentem salários é louvável em tese, mas a forma como isso é proposto pode generalizar a restrição para todos os servidores. A definição de verbas indenizatórias como "natureza reparatória, episódica, eventual e transitória" visa coibir distorções, mas é crucial garantir que verbas legítimas e necessárias para o desempenho de funções (como auxílios e diárias) não sejam indevidamente cortadas ou dificultadas, prejudicando o servidor comum.
Quanto ao 14ª Folha de Pagamento (Bônus de Resultado).
A proposta de um bônus de resultado, atrelado a metas, é apresentada como forma de motivar. Contudo, experiências anteriores com "meritocracia" no serviço público frequentemente revelam a dificuldade em estabelecer métricas justas e transparentes, podendo gerar competição interna predatória, avaliações subjetivas e a não distribuição do bônus, transformando-o em uma falsa promessa. A estabilidade remuneratória é um dos pilares da atração para o serviço público e deve ser preservada. A desvinculação do teto constitucional para esses bônus, enquanto se restringe outros benefícios, também levanta questionamentos sobre a equidade.
Abstraído esses fatos, indaga-se se as propostas de gestão buscam maior controle e padronização? Temos que embora projeções de folha, planejamento e metas objetivas possam aumentar a eficiência, há o risco de o Sistema Nacional de Avaliação de Políticas Públicas (Sinap) ser usado para justificar cortes, em vez de aprimoramento. A padronização dos Tribunais de Contas pelo modelo do TCU, enquanto uniformiza, pode centralizar o poder e limitar a autonomia federativa, instrumentalizando auditorias politicamente. A revisão de gastos, o comitê e a padronização de compras visam combater a corrupção e a transparência é bem-vinda, desde que não persiga a remuneração justa dos servidores. Por fim, o limite de cargos comissionados é um avanço contra o aparelhamento político, mas exige fiscalização para garantir critérios técnicos.
A conclusão é que a reforma administrativa, embora prometa modernização, ameaça precarizar o trabalho, desvalorizar servidores e enfraquecer os serviços públicos. Sindicatos e associações devem rechaçar a perda de direitos e a desconsideração da estabilidade, exigindo transparência e respeito à voz dos servidores.
Nosso compromisso é lutar por um serviço público forte, onde a estabilidade do servidor é uma garantia fundamental para a continuidade e imparcialidade social.
(*) CLAUDIO FABIANO BALTHAZAR (OAB-BA 10.901)
TEL 99667-1967
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