A Bahia ocupa, há anos, o topo do ranking nacional de violência. Cidades como Salvador, Feira de Santana, Camaçari e Vitória da Conquista convivem diariamente com estatísticas alarmantes de homicídios, tráfico de drogas, assaltos e crimes organizados. O que era uma crise de segurança pública tornou-se uma realidade crônica e trágica para milhares de famílias baianas.
Recentemente, uma fala do atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, causou perplexidade e indignação em diversos setores da sociedade. Em tom agressivo, o chefe do Executivo estadual se referiu aos eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro como “gente que não presta” e afirmou que “dá vontade de ir para cima”. Ora, quando a mais alta autoridade do Estado se expressa dessa forma, não se trata apenas de retórica política. Trata-se de uma autorização moral — ainda que implícita — para a violência política e a criminalização do pensamento divergente.
Ao proferir tais palavras, o governador ultrapassou os limites do aceitável no debate democrático. Em um Estado que já sofre com números alarmantes de mortes violentas, ouvir de seu líder uma fala que naturaliza ou estimula a perseguição de adversários políticos é um retrocesso perigoso. Se no passado recente condenamos a intolerância e o radicalismo, não podemos agora aceitar discursos que flertam com a retaliação e o revanchismo ideológico.
É irônico — e trágico — que esse mesmo governo, tão duro no verbo contra opositores políticos, seja conivente e leniente com facções criminosas que aterrorizam a população. A realidade escancara que o Estado, em vez de garantir segurança e justiça, muitas vezes abdica de sua responsabilidade, permitindo que traficantes e homicidas controlem comunidades inteiras.
Se o governador, ao vociferar contra cidadãos comuns que apenas pensam diferente, estivesse direcionando igual rigor contra criminosos que espalham morte e medo, talvez a Bahia não figurasse como líder nacional em homicídios. Mas não é isso que se vê. A bravata fica restrita ao campo ideológico, enquanto o crime organizado prospera sob a omissão ou incompetência do poder público.
A população baiana não quer guerra ideológica. Quer paz, justiça, segurança e respeito. Governar não é militar contra adversários políticos; é cuidar das pessoas, garantir o bem comum, respeitar a Constituição e as liberdades civis. Quando a retórica de um líder se aproxima da violência, ele se distancia da democracia.
O povo da Bahia merece mais. Merece um governo que combata o crime com firmeza, que proteja os inocentes, que respeite o pluralismo político e que entenda que discordar não é crime — é um direito constitucional.
(*) Francisco Issa - Tenente Coronel PM/RR, Advogado, Direito UCSal, missão em El Salvador e Haiti, Direito Intern. Humanitário.
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