Não é que sempre seja assim e nem mesmo que quando seja, seja bom, mas não é que as instituições estão funcionando? Isso se diz por aqui e também no exterior. Capa recente da revista The Economist manchetou: “What Brazil can teach America”, algo como “O que o Brasil pode ensinar para a América”. Pode ensinar muito, foi o que disse o conteúdo da matéria, que afirmou que nosso país dá exemplo de maturidade democrática ao levar a julgamento um ex-presidente que tentou dar um golpe, algo que os States não conseguiram fazer.
As instituições, de fato, funcionaram nesse último período. Nesse caso, para o bem. A condenação de um ex-presidente e outros sete membros do alto escalão do governo, inclusive militares de alta patente, por tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado de direito, entre outros crimes, é de encher a gente de orgulho. Aliás, nossa suprema corte está dando exemplo de vigilância das regras constitucionais e da democracia há uns bons anos.
Mas nem sempre as instituições brasileiras funcionam para o bem. O STF, por sinal, é reconhecidamente uma corte que habitualmente julga contra o provimento de causas trabalhistas reivindicadas pelos trabalhadores. Isso para não falar do que aconteceu na época da Lava Jato, quando o STF negou boa parte dos pedidos apresentados pela defesa dos implicados nos processos julgados por um certo juiz de primeira instância, que depois virou ministro de Bolsonaro e agora é senador.
Mas o STF se redimiu, assim como o poder Executivo que também vem se redimindo, depois dos desastrosos quatro anos comandados pelo agitador fascista. Não é que Lula esteja certo em tudo. Na verdade, boa parte do tempo, seu governo parece errar: erra porque exagera na tentativa de conciliar o inconciliável; porque atura demais o Centrão; porque desmobiliza suas bases, especialmente os setores organizados, e porque escuta pouco seus aliados do andar de baixo. O governo também erra um bocado no timing e também comunica mal as coisas boas que faz, embora esteja melhorando nesse quesito. Mas se tem uma coisa que Lula é competente, ainda mais nesses tempos difíceis, é na capacidade de diálogo e na promoção da estabilidade, tudo que precisamos para afirmar que a instituição “Executivo” está funcionando.
Mas se dois dos poderes estão funcionando e a bem da nação, o Congresso é o ponto fora da curva. E quando tudo parecia caminhar para a normalidade e talvez uma outra capa-exaltação do Brasil de revista gringa estivesse a caminho, vem os senhores deputados, os partidos do Centrão e o PL, esculhambarem geral. Faltam-me espaço e adjetivos para dizer do escárnio que é a PEC da Blindagem e o PL da anistia. Sobra-me indignação, o que me leva a encerrar confirmando o que tenho dito toda vez que o Congresso funciona:
#congressoinimigodopovo, #congressodamamata, #piorcongressodahistoria.
2026 têm eleições. Não vamos esquecer.
*Carlos Zacarias de Sena Júnior, graduado em História pela Universidade Católica do Salvador (1993), mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (1998) e doutor também em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2007), Professor do Departamento de História da UFBA.
Contato: zacasenajr@uol.com.br
Publicado no Jornal A Tarde, (Coluna do autor), edição de 19/09/2025.
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