A criação do cargo de Oficial Investigador de Polícia (OIP), instituído pela Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (Lei nº 14.735/2023), vem sendo apresentada como avanço institucional. No entanto, uma análise crítica realizada pelo Investigador de Polícia Civil da Bahia, Denilson Campos Neves, revela que a medida representa, na prática, a intensificação da exploração laboral e a precarização das condições de trabalho.
O estudo mostra que o OIP unifica as atribuições de investigadores e escrivães, acumulando responsabilidades complexas em um único cargo, sem que haja aumento de remuneração ou valorização proporcional. Para o autor, essa fusão não significa modernização, mas sim a adoção da lógica neoliberal da multitarefa, que sobrecarrega o trabalhador e compromete a qualidade das investigações criminais.
A pesquisa também destaca que, apesar do discurso sindical de fortalecimento institucional, a base policial tem recebido a novidade com desconfiança, uma vez que a medida formaliza práticas de desvio de função já existentes e não atende à antiga reivindicação da carreira única.
Mais do que um passo rumo à valorização profissional, o OIP expressa um modelo de gestão que prioriza eficiência formal em detrimento da saúde laboral e da qualidade investigativa. Para Neves, é urgente abrir um debate democrático com a base policial, construir alternativas que assegurem dignidade e especialização e repensar o futuro da carreira policial civil no Brasil.
Leia abaixo íntegra do trabalho: