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PostHeaderIcon PMs encerram greve na Bahia

Policiais militares anunciam o fim da greve iniciada há 12 dias, e que desatou em uma onda de violência com um saldo de 157 mortos.

Após acordo com o comando da PM, líderes grevistas conseguiram aprovar proposta pelo encerramento da paralisação em assembleia esvaziada em Salvador

 

Os policiais militares decidiram encerrar neste sábado 11/02 a greve que durou 12 dias. A decisão foi tomada em assembleia , às 20h30, depois que os líderes do movimento apresentaram a proposta de encerrar o movimento.

 

Segundo o deputado Capitão Tadeu, que participou das negociações, a proposta foi levada para o encontro depois de um acordo com  o comando da PM, na tarde de sábado.

Os policiais colaram no portão a pauta de reivindicações. Eles pedem o pagamento da Gratificação por Atividade Policial (GAP) de níveis 4 e 5 neste ano e em 2013, respectivamente. Além do relaxamento das prisões dos líderes do movimento que foram detidos, os policiais também querem que os policiais grevistas não sejam punidos. Segundo o movimento, a comissão negociadora não cederá em nenhum dos três pontos de pauta. Na manhã da última quinta-feira, o comandante-geral da PM, Alfredo Castro, havia anunciado que, para o comando, a greve havia terminado e que os policiais que não retornassem ao trabalho seriam punidos com corte de ponto e processos administrativos.

O governo ofereceu para os grevistas pagamento escalonado das GAPs 4 e 5 entre novembro deste ano e 2015. Também prometeu não punir os grevistas que participaram do movimento pacificamente. Sobre as prisões dos líderes grevistas, o governo informou o assunto compete à Justiça.

- Reajuste de 6,5% retroativo a janeiro deste ano.

- Gratificação Policial IV (GAP IV) com pagamento parcelado a partir de novembro (70% do total ) e 30% em abril de 2013.

- Gratificação Policial V (GAP V) a ser parcelada a partir de março de 2013 até 2015.

- Não haverá revogação dos mandados de prisão dos policiais e bombeiros suspeitos de ações violentas durante o motim. A Justiça determinou que 12 líderes do movimento fossem presos.

O movimento enfraqueceu após a prisão do seu principal líder, Marco Prisco, na última quinta-feira, quando os grevistas desocuparam o prédio da Assembleia Legislativa depois de 10 dias no local. A rendição de Prisco veio horas após a divulgação de escutas telefônicas feitas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública da Bahia nas quais Prisco articularia atos de vandalismo e a invasão de um quartel. Os policias que participaram do motim afirmam que Prisco só se entregou para evitar que houvesse uma invasão do prédio pela Força Nacional e pelo Exército, que faziam um cerco ao local.

Foram presos  também  Antônio Paulo Angeline e a sargento Jeane Batista, que não estava na lista, mas foi presa ao ser flagrada tentando articular a invasão de um batalhão. Polícia Federal estava em Ilhéus tentando prender outro líder, Augusto Júnior.

De frente para cerca de mil policiais, um dos líderes do movimento, soldado Ivan Leite, tratou de justificar a medida. “Já viu greve com viatura na rua? Estávamos trabalhando e cada dia mais desistimos da luta”, constatou, referindo-se aos policiais que decidiram voltar a trabalhar na quinta-feira, após o comandante geral da PM, coronel Alfredo Castro, ter ordenado o retorno das atividades, sob pena de corte do ponto. “A gente tem chance de sair da cabeça erguida. Neste momento, não cabe intransigência, já mostramos quem é o intransigente da história”, completou Leite, em crítica ao governo do estado.

Convencida, a tropa gritou “a PM parou”, não mais como sinal de que manteria a greve, mas como um mantra, uma forma de saudação. Logo em seguida, o ginásio entoou o “A PM voltou” e os policiais retomaram os trabalhos.

Em um dos pronunciamentos, o deputado estadual e capitão Tadeu Fernandes (PSB) disse, se dirigindo aos policiais presentes, que não haveria mais como sustentar o movimento, mas que os grevistas "lavaram a alma" e precisavam sair "com a cabeça erguida".

De acordo com Tadeu, as negociações com o governo vão continuar mesmo com o fim da greve.

Decidimos em favor da sociedade, de nossas famílias, que estavam sofrendo”, destacou o soldado Leite. Segundo ele, as negociações para que o pagamento das gratificações tenha o prazo reduzido e o pedido de relaxamento da prisão dos 12 líderes da greve continuarão sendo negociados com o governo. “Se não, voltamos a parar de novo”, ameaçou. “Pouco me importa o prejuízo dos empresários do Carnaval, mas a gente está preocupado com quem vai para rua e sabemos que o Carnaval gera muito emprego”, ponderou.

Segundo Leite, o presidente da Aspra (Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia), Marco Prisco, foi informado sobre a decisão dos policiais de voltar ao trabalho e teria dito que "entendia e aceitava a decisão da maioria"

Na saída do ginásio, alguns policiais choravam. Um grupo hostilizou os jornalistas que acompanhavam a reunião do lado de fora com vaias e xingamentos de "mentirosos" e "corruptos".

O coronel Castro comemorou o fim da greve e ressaltou que manterá abertas as negociações com a categoria. Segundo ele, pontos da pauta de reivindicações estão sendo estudados pelo governo, como a criação do auxílio-acidente. Quanto ao pagamento das gratificações fracionadas até 2015, o comandante ponderou: “Sei que não é o ideal, mas é o real e concreto”. Segundo Castro, as faltas ao trabalho de sexta e de ontem serão descontadas como faltas normais, e não serão interpretadas como crime de adesão à greve, previsto no Código Militar.

Confira Tabela da GAP


 

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