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Carnaval X Segurança

Estamos aqui mais uma vez nos posicionando em relação ao carnaval e a segurança publica tendo em vista que já escrevemos artigo anteriormente publicado no site do sindicato dos policiais civis em 2003 de mesmo título.

Quando tecemos criticas ao modelo de segurança que vem sendo executado pela Secretaria de Segurança Pública é com a intenção de alertar as autoridades competentes da gravidade da situação, pois que somos ainda a única entidade governamental que realiza os trabalhos dentro da grande festa que é o carnaval de forma totalmente amadora e arcaica, contando com a fé e a proteção divina no que diz respeito à segurança geral do cidadão folião e do folião cidadão que ficam jogados por conta da própria sorte. Enquanto o corpo da secretaria de segurança bate cabeça fazendo de conta que está trabalhando.

O que há é um grande desperdício de dinheiro público, mesmo levando-se em conta que em termos percentuais e de responsabilidade no conjunto de benefícios a categoria policial e a de pior remuneração dentro da festa.

O serviço oferecido pela secretaria é medíocre, de péssima qualidade, desorganizado, desmotivado e sem efeito real dentro do que cabe sua responsabilidade de dar segurança, pois o que vemos hoje é simplesmente a segurança privada encarregando-se cada vez mais das atividades de responsabilidade do órgão governamental, responsável pela segurança publica , tendo em vista o caráter de a festa ser popular.

É simples o entendimento, pois quem vem no bloco está assistido por um aparato de segurança, podendo brincar tranqüilo. Quem tem condições de estar dentro dos afortunados camarotes também conta com essa tranqüilidade por ter forte esquema de segurança à sua disposição, e assim sucessivamente, em todos os empreendimentos privados; enquanto quem só pode contar com a segurança pública é jogado aos “leões”. Esquecem os afortunados que, ao saírem de seus redutos de características romanas, também passam a partir daí a engrossar as fileiras dos desprotegidos, passando a fazer parte das estatísticas do carnaval.

É questionável a visão distorcida de controle de multidão defendida pelos “papas” da segurança pública, por não haver uma discussão ampla com todos os segmentos envolvidos na folia. Só assim trataremos realmente da segurança do folião, que é nossa bandeira e não o controle do folião; com isso ficam os policiais submetidos a um desgaste levando-os ao stress antes mesmo de completar a jornada de trabalho, aparecendo esse sintoma de forma mais acentuada no policial militar, pelas próprias condições a que é submetido, capacete, coturno, patrulhas numeradas com monitoramento, não para auxiliar o trabalho, mas para controle do homem, patrulhas subindo e descendo no meio do povo criando mais problemas que soluções, pois ao romperem a multidão empurrando quem está de costa, andando em linha reta não podendo desviar-se de nada à sua frente como se fosse uma locomotiva onde a maioria está, no mínimo num alto grau de alcoolemia e tantas outras substâncias.

 Conduzido sempre com a alegação de ser bagunceiro, sem falar nas vias de fato, quando sem recursos nem condição de identificação, sobra sempre para quem está tentando esquivar-se da confusão. Poderíamos aqui enumerar centenas de aberrações envolvendo a parte operacional ostensiva/ preventiva.

Quanto à polícia civil é também inoperante no que diz respeito ao circuito do carnaval. Sem um plano de ação centrada em resoluções de problemas diários de fácil detecção, como ação em locais de maior incidência de ataque de marginais, maior incidência de ação dos grupos praticantes da modalidade conhecida como arrastão e outros, todo esse levantamento feito de forma contínua e por área, tomando como base as ocorrências das DEAS e PCSAS, tudo feito de forma integrada,  ágil e em tempo real.

 Hoje, o contingente está concentrado em cubículos chamados de PCSAS restritos, recebendo supostos foliões infratores conduzindo-os posteriormente em camburões para as delegacias sem nenhuma base legal.

 Temos que questionar a segurança publica no carnaval, quantos flagrantes são realmente realizados no circuito, quantos infratores “REAIS”  são encaminhados e tirados de circulação durante a festividade, considerando o numero de ocorrências de roubos e assaltos, quantos baderneiros “EFETIVOS” são tirados de circulação, quantos causadores de danos em coletivos são indiciados e encaminhados os inquéritos para a justiça a fim de ser o dano reparado, e o número de autores de lesões corporais identificados e conduzidos com todos os requisitos que determina a lei para que seja instaurado inquérito policial.

Perguntas que devem ser feitas e respondidas, mas não com respostas evasivas ou prosopopéias prolixas, academicistas, ostentando uma cátedra muitas vezes aparente sem nenhum fundamento didático, apenas mais um discurso vazio ante o povo, escondendo-se atrás das palavras para não se fazer entender. Estamos aqui questionando números, folia X atendimento real, número das Ocorrências X produtividade prática, resumindo, ação X reação, problema X solução, ou seja, trabalho.

E, finalizando, vou registrar mais uma vez o que disse na matéria anterior. Não iremos para lugar algum sem comunicação, volto então a repetir a comunicação na ação de segurança é local entre os que estão trabalhando na área; não existe comunicação central para trabalhos nesse nível, que falem os donos de segurança de blocos que compõem nossas forças, sejam militares ou civis; precisamos deixar de bater cabeça entre o povo com patrulhas subindo e descendo e não trazendo solução, acabar com os grupos de reação parados em frente ao prédio da segurança sem finalidade; tem que se distribuir melhor quantitativamente e qualitativamente o efetivo, planejando as ações e deixando de achismo e aqueles que se consideram os maiores planejadores reverem seus conceitos ou colocarem seus quepes e seus paletós em baixo do braço e dar adeus porque estão ultrapassados e colocando o serviço de segurança publica em uma situação atrasada e sem perspectivas de melhoras para o futuro.

Marcos Antonio de Souza  -  Investigador de Polícia Civil/Ba

Formação: Licenciatura Plena em Educação Física (UCSAL)

Pós Graduado em Metodologia do Ensino Superior (FESP/UPE);

Especialista em Prevenção da Violência, Promoção de Segurança e Cidadania (UFBA/ NPGA/CPA).

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. – Tel. (71) 9121-1966/ 8762-7988.         

 
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